Carnaval, sexo e drogas: como conversar com adolescentes

Por: Dra. Andrea Beltran, psicóloga analítica junguiana, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.
O Carnaval é um período de muita liberdade, festa e intensidade. Para os adolescentes, isso costuma vir junto com curiosidade, vontade de experimentar coisas novas e, principalmente, desejo de pertencer ao grupo. Tudo isso é natural nessa fase da vida.
Na psicologia junguiana, entendemos que a adolescência é um momento em que o jovem ainda está se descobrindo: quem ele é, o que sente, quais são seus limites. Emoções e impulsos aparecem com força, muitas vezes antes de existir maturidade para lidar com as consequências. Por isso, mais do que controlar, o papel dos pais é ajudar o adolescente a pensar.
Quando sexo e drogas viram tabu ou só aparecem em conversas cheias de medo e proibição, o adolescente tende a viver essas experiências escondido. E aquilo que não pode ser falado em casa costuma ser vivido sem cuidado fora dela.
O mais importante: vínculo – No fim das contas, o que realmente protege o adolescente não é o controle total, mas o vínculo. Saber que existe um adulto que escuta, acolhe e orienta faz com que o jovem pense antes de agir e procure ajuda quando precisa.
Como falar sobre sexo – Falar sobre sexo não é incentivar. É ajudar o jovem a entender que o corpo, o desejo e o afeto caminham juntos com responsabilidade e respeito.
Algumas falas possíveis para os pais:
- “Eu sei que nessa fase a curiosidade aparece, e isso é normal. O que importa é você se cuidar e respeitar seus próprios limites.”
- “Sexo envolve prazer, mas também envolve responsabilidade. Você sabe que pode conversar comigo se tiver dúvidas ou inseguranças?”
- “Ninguém é obrigado a fazer nada para agradar os outros. Consentimento também é saber dizer não.”
- “Quero que você viva suas experiências, mas sem colocar sua saúde ou seu emocional em risco.”
Essas falas ajudam o adolescente a perceber que o desejo não é errado, mas precisa ser vivido com consciência.
Como falar sobre drogas – Quando o assunto é droga, muitas vezes os pais focam apenas na substância. Mas o mais importante é entender o motivo que leva o adolescente a querer usar: curiosidade, pressão do grupo, vontade de esquecer problemas ou simplesmente se sentir aceito.
Exemplos de falas possíveis:
- “Eu sei que você pode acabar vendo drogas em festas. O que você pensa sobre isso?”
- “Se algum dia você se sentir pressionado a usar algo, quero que saiba que pode me ligar sem medo.”
- “Muita gente usa para tentar fugir de sentimentos difíceis. Se algo estiver pesado para você, vamos falar sobre isso.”
- “Não é porque todo mundo faz que você precisa fazer também.”
Aqui, o mais importante não é assustar, mas mostrar que o adolescente não está sozinho para lidar com suas escolhas.
Limites que protegem, não que afastam – Na psicologia junguiana, limites não são castigos. Eles funcionam como proteção para um jovem que ainda está aprendendo a lidar com suas emoções e impulsos. Combinar horários, conversar sobre locais seguros e deixar claro o que é ou não permitido traz segurança emocional.
Algumas falas simples:
- “Confio em você, mas alguns limites ainda são necessários.”
- “Liberdade vem junto com responsabilidade.”
- “Se algo sair do controle, nossa relação é mais importante do que qualquer bronca.”
O Carnaval passa. Mas a forma como o adolescente se sentiu cuidado, respeitado e escutado nesse período pode marcar profundamente sua relação consigo mesmo e com o mundo.
