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Catarata X insônia

Pesquisa mostra que 36% das mulheres brasileiras melhoram da insônia após a cirurgia

Foto: crédito-Freepik

A catarata, opacificação do cristalino, é maior entre mulheres no mundo todo e tem como principal causa o envelhecimento. Segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier/Campinas/SP, a mulher tem mais catarata porque o cristalino tem receptores de estrogênios que facilitam a oxidação da lente do olho. O oftalmologista, que é membro também da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa, explica que a doença é multifatorial. Além dos hormônios, esta condição pode estar associada a traumas, diabetes, insônia, uso contínuo de corticoide, alta miopia, doenças autoimunes, exposição ao sol sem proteção, tabagismo e consumo abusivo de sal.

Insônia – Dos fatores de risco elencados por Queiroz Neto, um deles está em ascensão no Brasil e é maior entre mulheres: a insônia. É o que mostra a Vigitel 2025, pesquisa anual do Ministério da Saúde sobre doenças crônicas.

Em sua última edição, a Vigitel revela que 20% dos brasileiros dormem menos de 6 horas/dia. A insônia atinge 31,7%. Entre mulheres, a prevalência é de 36,2% frente a 26,2% dos homens.  A faixa etária de maior prevalência da insônia é dos 45 aos 54 anos.

A frequência mais expressiva de sintomas de insônia entre o grupo feminino ocorreu em Maceió (45,6%). As menores entre elas aconteceram em Florianópolis (32%), Natal (33,3%) e São Paulo (33,7%).  Entre homens a maior prevalência foi de 34% em Porto Velho; a menor de 21,1%, em João Pessoa.

A boa notícia é que a cirurgia de catarata melhora a visão e diminui o risco de outras condições frequentes nas pessoas com 60 anos ou mais. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz, a cirurgia de catarata melhora a visão e diminui o risco de outras condições frequentes nas pessoas com 60+. “Isso acontece porque a catarata é muito mais que visão embaçada. Quando o cristalino fica opaco, menos luz azul natural do dia chega à retina, o que diminui a produção de melanopsina, foto pigmento encontrado nas células ganglionares da retina”, afirma. 

Conforme explica, “é a melanopsina que detecta a luz para regular nosso relógio biológico ao ciclo do dia e promover o estado de vigília. Com a chegada da noite, a melatonina, hormônio do sono, entra em cena para relaxarmos. Portanto se a quantidade de luz que penetra em nossos olhos não é suficiente, todo o nosso organismo sofre consequências”. O oftalmologista ressalta ainda que a falta de sono também aumenta a produção de radicais livres, reduz os mecanismos antioxidantes da glutationa e da catalase, que protegem o cristalino.

Ele observa também que nem sempre quem tem catarata tem insônia. Isso pode acontecer porque cada organismo tem suas próprias particularidades. Em algumas pessoas o núcleo supraquiasmático, que regula nosso relógio biológico, tem maior plasticidade para se adaptar a diferentes alterações de luminosidade. Outro fator é a maior exposição ao sol nas primeiras horas do dia que estimula a produção de melatonina e até o uso de moduladores do sono.

A seguir, ele aponta os principais sintomas da catarata, confira:

•  Troca frequente de óculos e visão embaçada;

•  Perda da visão de contraste, especialmente em ambientes com pouca luz;

•  Fotofobia;

•  Alterações na percepção de cores;

•  Dificuldade para dirigir à noite.

Como saber se está na hora de operar? – Não existe ‘idade certa’ para operar. No caso da catarata subcapsular, que causa mais fotofobia, precisa ser operada antes, sugere Queiroz Neto. Os sinais de que está na hora de operar é a dificuldade em exercer atividades corriqueiras como ler um livro, usar o computador, o celular ou dirigir.

Como é feita a cirurgia e quais os riscos? – A cirurgia de catarata é uma das mais praticadas o mundo e também uma das mais seguras. “O maior risco é uma infecção generalizada no globo ocular. O procedimento é realizado com aplicação de um colírio anestésico e sedação, o que torna o processo bastante tranquilo para o paciente. “Fazemos um corte de 2 mm no canto da córnea, por onde aspiramos o cristalino opaco, e inserimos a lente dobrada, que se abre no saco capsula, local onde o cristalino natural fica apoiado”, explica o oftalmologista, ressaltando que “o mais importante é seguir as recomendações médicas e não falhar no uso dos colírios prescritos para não correr risco”.

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