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Dia Nacional do Diabetes – 26 de junho: Especialistas alertam para acompanhamento do paciente na pandemia

A médica clínica e nutróloga Gisele Figueiredo Ramos: “o sedentarismo, descontrole glicêmico e a falta de acompanhamento médico adequado podem causar uma descompensação do diabetes e, consequentemente, complicações da própria doença” (Foto: Matheus Campos)

Junho, 2021 – Um estudo internacional on-line, com 1.701 brasileiros com diabetes, identificou que 59,5% dos entrevistados apresentaram redução nas atividades físicas, 59,4% observaram variação na glicemia e 38,4% adiaram ou cancelaram suas consultas médicas durante a pandemia. Mesmo com a chegada das vacinas e a flexibilização das fases do Plano SP, muitas pessoas ainda se sentem inseguras de retornar suas atividades cotidianas e até fazer exames periódicos, o que preocupa especialistas.

Segundo a médica clínica e nutróloga do Hospital Vera Cruz de Campinas/SP, Gisele Figueiredo Ramos, o sedentarismo, descontrole glicêmico e a falta de acompanhamento médico adequado podem causar uma descompensação do diabetes e, consequentemente, complicações da própria doença. “Situação que pode ser agravada se o paciente for infectado pelo novo coronavírus”, alerta.

O empresário Victor Astini Muniz, de 35 anos, foi diagnosticado com diabetes tipo 2 durante a pandemia. “Eu já estava acima do peso há uns dois anos, ganhei mais peso ainda em 2020, durante o isolamento social. Fiz um checkup e busquei acompanhamento profissional para perder peso. Não imaginava que estava com diabetes. Sabia que poderia estar pré-diabético ou perto disso. Ao receber o diagnóstico, me senti um pouco frustrado por saber que eu poderia ter tomado uma atitude antes”, lamenta o paciente.

Para o médico Marcelo Miranda, endocrinologista do Hospital Vera Cruz, observou-se um aumento de novos casos de diabetes durante a pandemia. “O isolamento social agravou a falta de atividade física, o consumo excessivo de carboidratos e gorduras, de alimentos industrializados e fast food, além do maior ganho de peso. Todos esses são fatores preponderantes para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, o mais comum, e que se relaciona com hábitos de vida”, conta o especialista.

Segundo ele também, estudos apontam o surgimento de mais casos novos de diabetes tipo 1, que não depende desses fatores. “Acredita-se que a infecção pelo coronavírus teve um papel direto na capacidade do pâncreas em produzir insulina”, explica.

Ainda de acordo com o endocrinologista, a redução da atividade física é mais um desencadeante do diabetes, mas outro fator importante é o maior tempo parado e em frente à tela do computador e do celular, mesmo para quem conseguiu manter uma prática de exercícios físicos, o que acaba anulando parte dos benefícios da atividade física. “O ganho de peso e de gordura abdominal decorrente desses maus hábitos agrava ainda mais o risco de desenvolver a doença”.

Diabetes e a Covid-19 – De acordo com a Dra. Gisele Ramos, os diabéticos compõem um grupo de risco da Covid-19. “O problema é que esse grupo possui maior risco de desenvolver a forma grave da doença. Eles podem precisar de internação hospitalar”, explica a médica. A complicação nesses pacientes acontece porque o excesso de açúcar no sangue leva à alteração no sistema imunológico, predispondo a sintomas respiratórios mais exacerbados. Esses pacientes também possuem um maior risco para descompensação metabólica. Por isso, a importância de manter tratamentos contínuos”, alerta.

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