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Infectologista fala sobre a importância da prevenção contra a covid nas festas de final de ano, vacinação e a nova variante Ômicron

No Brasil, neste final de ano, existe um clima de otimismo com relação à covid 19, graças aos bons resultados da vacinação, lembrando que aqueles que perderam parentes e amigos para a doença, e são muitos, o Natal será repleto de lembranças de momentos angustiantes e saudades dos que se foram.

Mas, quais os cuidados com as festas de final de ano? Qual o quadro atual? E a variante Ômicron, que surgiu no sul da África, quando chegará no país? Para abordar esses assuntos, o Portal Medicina e Saúde entrevistou o dr. Estevão Urbano, diretor da Sociedade Mineira de Infectologia.

O infectologista ressalta que, “embora o número no Brasil esteja melhor, nós ainda estamos inseguros com relação ao futuro da pandemia e claramente essa situação está se tornando um problema na Europa, com aumento do número de casos e novas variantes de risco surgindo. Então, apesar desse momento, da melhora dos números, é muito importante o regramento da prevenção, como o uso de máscaras, distanciamento, vacinação. Tais medidas têm um papel importante para evitar casos isolados que pode ser o seu, de um parente, mas, também, coletivamente, para evitar uma nova piora nos números da pandemia”.

“Temos preocupação de que as festas de final de ano possam elevar os números que estão bons, mas não estão completamente encerrados”, salienta.

Em Belo Horizonte, por exemplo, o quadro é bom, assim como em toda a Minas Gerais, com importante melhora no número de casos e de óbitos. Portanto, um cenário promissor. “O problema é que não temos certeza de quanto tempo esse quadro se manterá assim. Por isso, é fundamental mantermos todas as regras de segurança”, alerta.

“Como se sabe a imunidade tende a cair com o tempo, especialmente em idosos. Por essa razão, as doses de reforço estão sendo recomendadas. Para o ano de 2022 ainda estão em aberto, mas é possível que uma nova dose de reforço tenha que ser dada nas pessoas que já tomaram a terceira dose e, eventualmente, a vacina terá um cunho anual, como a da gripe”.

Indagado sobre a nova variante Ômicron, que surgiu no sul da África e já circula em alguns países da Europa, ele responde: “ainda precisamos aprender mais sobre ela. Sabemos apenas que ela tem mais mutações que a maioria das outras variantes e essas mutações podem ser perigosas. É uma cepa mais transmissível. Agora, se ela foge à cobertura das vacinas, não sabemos. Os sintomas dessa linhagem são os mesmos das outras, mas não se sabe se ela pode evoluir de forma mais grave quando comparada às outras”.

Com relação a proibir a entrada de pessoas originárias desses países, “pessoalmente acho que nesse momento o Brasil deve seguir o que fazem outras potências mundiais, fechar as fronteiras, o que não vai impedir a chegada da Ômicron no Brasil, mas vai retardar, o que pode ser importante para o conhecimento dessa cepa”.

De acordo com o Dr. Estevão Urbano, “com certeza, a variante Ômicron vai chegar no Brasil, mas se ela vai demorar a chegar depende das nossas ações. Por exemplo, a realização das festas de Carnaval e a manutenção da fronteira aberta sem testagem podem facilitar para que a variante possa chegar rapidamente e ter acelerada propagação no país. Nesse sentido, vamos aguardar a posição do governo e da sociedade”.

Com relação a proteção das vacinas contra essa variante, “ainda não sabemos. Pode ser que ela possa escapar de algumas vacinas, mas não temos nada confirmado, é apenas especulação”, acrescenta.

Segundo ele, os cuidados contra a nova variante são os mesmos já conhecidos: usar máscaras sempre em ambientes públicos, manter distanciamento, higienizar as mãos.

Para o infectologista, “é preciso aprender um pouco mais sobre a Ômicron antes de termos uma ideia mais clara do ela pode proporcionar. Seu aparecimento é um recado para todos nós, de que não estamos livres do vírus, que essa variante pode ser perigosa. Mas, caso ela não seja, outras variantes poderão surgir e oferecer alto risco para a população. Portanto, vai depender apenas da capacidade de enfrentarmos essa pandemia com resiliência. Achar que ela já acabou e que está tudo bem, é que é um grande perigo, um grande risco”, conclui.

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