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Jovens médicos e lideranças nacionais discutem caminhos para a Medicina do futuro na AMRIGS

Programação envolveu especialistas, instituições médicas e representantes de todo o país em dois dias dedicados aos desafios das novas gerações

Crédito: Divulgação

Por Marcelo Matusiak   

Como preparar melhor os novos médicos para uma realidade profissional cada vez mais complexa, tecnológica e juridicamente exigente? Essa foi a pergunta que orientou o segundo e último dia do Encontro da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMB – Edição Rio Grande do Sul 2026, realizado neste sábado, dia 16 de maio, na sede da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), em Porto Alegre. A atividade reuniu acadêmicos, residentes, jovens profissionais, especialistas e representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), da AMRIGS e do Conselho Federal de Medicina (CFM) para discutir formação, mercado de trabalho, inovação, segurança profissional e valorização da carreira.

Oficinas teóricas e práticas – A manhã começou com oficinas teórico-práticas no Centro de Simulação e Treinamento da AMRIGS. Os participantes foram divididos em ações voltadas a situações frequentes da rotina assistencial, com ênfase em procedimentos importantes para o recém-formado.

Fabrizia Luz, acadêmica do 4º semestre do Centro Universitário CESUCA e membro do Departamento Universitário da AMRIGS, ressaltou a relevância do treinamento para a futura atuação profissional. Conforme relata, “fizemos o manejo de vias aéreas, do básico ao difícil, e gostei bastante, porque são coisas muito importantes para o dia a dia, quando formos trabalhar. Eu adorei a simulação, porque senti que aprendi bastante e consegui colocar em prática aquilo que tinha estudado”.

Para Ana Souza, também acadêmica do 4º semestre do Centro Universitário CESUCA, as dinâmicas foram fundamentais, independentemente da especialidade escolhida. “Treinar antes no manequim é essencial porque a gente previne riscos desnecessários ao paciente. A parte mais difícil, na minha percepção, foi a intubação sem o videolaringoscópio, apenas com o laringoscópio convencional. Com o equipamento visual, o procedimento se torna mais fácil”, observa.

As aulas contemplaram técnicas de sutura, drenagem de tórax e acesso venoso central, em atividade vinculada ao Colégio Brasileiro de Cirurgiões – Capítulo Rio Grande do Sul (CBC/RS), conduzida pelos médicos Gerson Junqueira Jr., presidente da AMRIGS e cirurgião geral e digestivo, e Gabriel Timm Junqueira. Também foram realizados treinamentos em manejo de via aérea, com a Dra. Mauren Matiazo e o Dr. Alexandre Cury, da Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul (SARGS), e procedimentos gineco-obstétricos, com os  doutores Roger Vinnícius Zarichta, Patrícia Tabile, Chrischelle Valsoler e o Breno José Acauan Filho, diretor de Finanças da AMRIGS e ginecologista e obstetra, com apoio da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (SOGIRGS).

A programação ainda incluiu análise crítica de artigos científicos, sob coordenação da Dra. Sandra Fuchs, com participação da Dra. Rafaela Rech; uso da inteligência artificial como ferramenta para a Medicina 4.0, com o Dr. Otávio Cunha e o diretor Científico e Cultural da AMRIGS, Dr. Guilherme Napp; além de prontuário seguro e declaração de óbito, com o representante da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMRIGS (CNMJ/AMRIGS) e membro do Conselho de Representantes da AMRIGS, Dr. Aldir Dias, e a Dra. Franciele Corte.

“Formei, e agora?” – A primeira palestra do dia tratou de finanças, segurança jurídica e associativismo na carreira do jovem médico. A Dra. Penélope Palominos, da Outliers Brasil (plataforma educacional focada em literacia financeira e investimentos) lembrou a importância de iniciar a organização financeira ainda nos primeiros anos de atuação, sem deixar o planejamento para a aposentadoria. Segundo ela, muitos profissionais chegam a uma fase avançada da vida com patrimônio acumulado, mas sem renda passiva suficiente para manter o padrão de vida. De acordo com a médica, o patrimônio construído durante a vida não deveria ser consumido para garantir a renda que faltou no planejamento. “O momento de começar é agora, ainda jovens, aos poucos, comprando ativos que possam gerar renda passiva no futuro”, alerta.

O assessor jurídico da AMRIGS, Dr. Luís Gustavo Andrade Madeira, chamou atenção para a organização jurídica, documental e contratual da atuação médica, medida essencial para reduzir riscos éticos, civis, trabalhistas, tributários e financeiros. Conforme explica, “um médico bem organizado juridicamente reduz riscos e passa a atuar com mais confiança. Desde a formação, e também na fase acadêmica, é importante buscar orientação, entender os documentos que envolvem a prática profissional e não deixar essas questões para depois”.

A médica Amanda dos Santos, representante da CNMJ, falou sobre associativismo e os impactos desse movimento na vida do jovem médico, destacando o suporte aos novos talentos e aos que já estão inseridos no mercado.

Já o representante da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMRIGS (CNMJ/AMRIGS), Dr. Aldir Dias, tratou de riscos jurídicos e médico-legais. Conforme dados do CFM, em 2022 foram registrados mais de 133 mil processos éticos no país. Entre as áreas apontadas como de maior risco estão Cirurgia Plástica, Ginecologia e Obstetrícia e Ortopedia, especialidades que, pelas características dos atendimentos e intervenções realizadas, costumam concentrar maior exposição a questionamentos éticos, civis e profissionais. A programação da manhã também abordou o atendimento a pacientes Testemunhas de Jeová, em palestra com o presidente da Comissão de Ligação com Hospitais (COLIH Porto Alegre), Denissen Fossati. Ele explicou que a relação entre o médico e as famílias passa pela compreensão da posição desses pacientes em relação aos tratamentos, especialmente no uso de sangue. Durante a apresentação, mostrou estratégias como minimização da perda sanguínea, aumento da hematopoiese (processo pelo qual o organismo produz, principalmente na medula óssea, as células do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas), tolerância à anemia e manejo do sangue

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