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Medicina & Saúde Jovem:  entrevista com Wagner Scalabrini Neto

Wagner Scalabrini Neto: “no curso de Medicina você tem que se entregar por completo”

Esta coluna tem como objetivo apresentar a trajetória de estudantes de Medicina em sua profissionalização. Ao longo de todo o curso, o futuro médico enfrenta grandes desafios: carga horária intensa, aperfeiçoamento curricular e técnico, conciliar estudos com a vida fora da faculdade, o que envolve disciplina, dedicação e atividades para vencer o estresse.

Nesta entrevista ao PORTAL MEDICINA & SAÚDE JOVEM, Wagner Scalabrini Neto, que está cursando o 6º período da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte/MG, fala sobre o motivo de sua escolha pela Medicina, aulas em tempo de pandemia, o que os estudantes têm aprendido com a covid, programas sociais da Faculdade, entre outros aspectos. Confira!

Esta coluna tem como objetivo apresentar a trajetória de estudantes de Medicina em sua profissionalização. Ao longo de todo o curso, o futuro médico enfrenta grandes desafios: carga horária intensa, aperfeiçoamento curricular e técnico, conciliar estudos com a vida fora da faculdade, o que envolve disciplina, dedicação e atividades para vencer o estresse.

Nessa entrevista ao Porta Medicina & Saúde Jovem, Wagner Scalabrini Neto, que está cursando o 6º período da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte/MG, fala sobre o motivo de sua escolha pela Medicina, aulas em tempo de pandemia, o quê os estudantes têm aprendido com a covid, programas sociais da Faculdade, entre outros aspectos. Confira!

Wagner, o que o estimulou a seguir os caminhos da Medicina?

Desde cedo sempre estive inserido no meio médico por influência do meu pai, que é oncologista, e por conviver com seus amigos, também médicos. Além disso, no ensino médio notei que tinha mais aptidão para as áreas de ciências da natureza, como física, química e biologia, do que pela área de humanas. Desta forma me interessei pela medicina.

Qual especialidade pretende seguir?

Ainda não sei. Porém, existem áreas pelas quais eu me interesso muito. Gosto bastante da área de Endocrinologia, Medicina Esportiva e, após cursar a disciplina de patologia, me interessei também pela Oncologia, tendo em vista toda a complexidade envolvida no processo carcinogênico. Além disso, tomei gosto pela Medicina Legal após realizar, no ano passado, a prova para cargo de Médico Legista.

Quais os principais desafios do curso?

Acredito que o curso de Medicina, como qualquer outro, apresenta muitos desafios. Um deles é a vasta gama de possibilidades de atividades extracurriculares a serem feitas, visando garantir pontuação no PSU, horas extras e até mesmo aperfeiçoamento curricular e técnico. Tais atividades englobam a submissão de trabalhos para congressos, participação da comissão organizadora de eventos científicos, monitoria, iniciação científica, publicação de artigos científicos e várias outras tarefas. Além disso, um grande desafio do curso é conciliar os estudos, aulas e provas com a vida fora da faculdade, como, por exemplo, sair com os amigos, praticar um hobby, descansar e realizar exercícios físicos

Como estão as aulas em tempo de pandemia? Aulas on line não interferem no aprendizado?

Quando a pandemia começou, em março de 2020, as aulas passaram a ser totalmente online. Com uma certa melhora do cenário da COVID-19, a faculdade retornou de modo gradual, com as aulas práticas, laboratórios e hospital, mantendo as aulas teóricas de modo remoto. Já na data de hoje, em 2022, o curso está 100% presencial. Acredito que as aulas online interferiram sim, no processo de aprendizado, infelizmente de modo negativo, tendo em vista problemas técnicos que ocorrem durante a transmissão remota e a ausência do contato humano, sendo este último imprescindível para o processo de aprendizado. Porém, na minha visão, creio que influenciou de modo positivo no quesito autonomia, pois nesse tempo de ensino remoto aprendi a “me virar” mais e a buscar o conhecimento por conta própria e não depender apenas do professor.

Na sua Faculdade de Medicina os debates científicos, palestras, seminários costumam ser intensos? Atende à sua expectativa?

Com certeza! A Faculdade Ciências Médicas conta com um engajamento forte dos alunos para a realização de debates, palestras e seminários. O Setor de Pesquisa e Extensão auxilia bastante na confecção de tais projetos. Esses eventos são excelentes para a promoção do conhecimento de diversas áreas médicas, além de incentivar os alunos a pensarem fora da caixa e explorarem outros ramos da medicina.

Quais são os programas sociais de sua faculdade?

A Faculdade Ciências Médicas oferece gratuitamente atendimento médico nas quatro áreas básicas (Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia), bem como em Psicologia e Fisioterapia no Ambulatório Ciências Médicas. Além disso, são realizados atendimentos no hospital-escola próprio, o Hospital Universitário Ciências Médicas (HUCM). Por fim, visando ampliar o acesso das comunidades rurais à saúde, a faculdade, em parceria com secretarias municipais de saúde, promove atendimento gratuito a populações de municípios vizinhos, por meio do Internato de Saúde Coletiva e de mutirões realizados pelas ligas acadêmicas. Vale ressaltar que todos esses atendimentos são feitos via SUS.

Do ponto de vista social, em um país com muita desigualdade como o Brasil, o que a pandemia está ensinando ao estudante de Medicina?

Acredito que a pandemia tem mostrado uma realidade diferente daquela vivida pelos alunos de Medicina. Por se tratar de um curso de elevado custo, exceto nas federais e estaduais, grande parte dos estudantes são de classe média alta e não conhecem a verdadeira realidade vivida pelo nosso país, marcada por grande desigualdade social, que, inclusive, se agravou ainda mais nesse período, em decorrência de lockdowns, empregos perdidos e recessão econômica. Além disso, não só a pandemia como o curso em si, mostra ao estudante que nem todos têm acesso fácil à saúde – muitos dependem do SUS, que, apesar de prestar um grande serviço à nossa sociedade, possui suas dificuldades e falhas como qualquer outro sistema. Por fim, concluo que a pandemia nos ensinou sobre senso de coletividade, que pode ser muito bem exemplificado pela vacinação, que só funciona se houver adesão de todos. Com o avanço das campanhas, temos cerca de 70% da população totalmente vacinada, e espero que esse número suba cada vez mais para que cheguemos mais próximos do fim da era covid.

O estudante de Medicina estuda muito. Nesse sentido, nas horas vagas o que faz para relaxar?

Nas horas vagas busco realizar atividades que me distraiam da rotina de estudos, como ir à academia, ler um livro, ficar nas mídias sociais e sair com os amigos

Como se dá a relação com os colegas da faculdade?

Inicialmente, ao entrar na faculdade, tive muito contato com meus colegas, principalmente por meio das calouradas, trotes, festas, intermed e até mesmo na hora dos estudos. Porém, com a chegada da pandemia, esse contato se perdeu muito, o que dificultou a socialização. Contudo, com a retomada das aulas, os alunos voltaram a interagir mais, e, hoje, posso dizer que, de um modo geral, os estudantes são bem unidos.

Finalizando, qual o recado que poderia dar para quem deseja fazer Medicina?

O curso de Medicina é um curso que você tem que se entregar por completo, demanda muitas horas do seu dia e faz com que você abra mão de muitas coisas. Porém, tem o seu lado recompensador e traz certa realização pessoal. Acredito que devemos sempre manter o equilíbrio entre os estudos, vida social e, principalmente, cuidar da nossa saúde, afinal um dia serei médico e não posso cuidar de outra pessoa sem antes cuidar de mim mesmo.

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