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Hospital Vila da Serra realiza, com sucesso, cirurgia inédita em recém-nascido

O cirurgião pediátrico Marco Antônio Viana Gomes: “trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva, com menor trauma cirúrgico, acelerando a recuperação do paciente, com  uma alta hospitalar mais rápida”

Uma excelente notícia para a população e comunidade médica de Minas Gerais. O Hospital Vila da Serra, situado na região metropolitana de Belo Horizonte, realizou, recentemente, a primeira cirurgia de hérnia diagramática congênita (HDC) em recém-nascido, por vídeo laparoscopia. O procedimento foi feito pela equipe de Cirurgia Pediátrica da Instituição, e teve à frente o Dr. Marco Antônio Viana Gomes, especialista em cirurgia pediátrica. Ele atua na Cirurgia Pediátrica Geral, na Urologia Pediátrica, na Cirurgia Vide laparoscópica e na Cirurgia Neonatal no HVS.

Segundo o médico, o procedimento, realizado com sucesso, trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva, com menor trauma cirúrgico, acelerando a recuperação do paciente com uma alta hospitalar mais rápida, além de excelente resultado estético.

O tratamento da hérnia diafragmática consiste em uma cirurgia para fechar o defeito do diafragma. A abordagem convencional geralmente é feita por uma incisão logo abaixo das costelas. Atualmente, “essa abordagem, nos hospitais especializados e de alta tecnologia, tem sido feita com vídeo, que pode ser através do tórax ou do abdome. Especificamente neste caso, operamos uma menina, recém-nascida com três dias de vida, pesando 2.880g. Ela já tinha o diagnóstico pré-natal, através de ultrassom, e que foi confirmado após o nascimento com raio x de tórax. A hérnia era do lado esquerdo e havia dentro do tórax a parte esquerda do fígado, como também o estômago e parte dos intestinos. Minha opção foi operá-la por vídeo através do abdome”. “Deve-se ressaltar um outro avanço no tratamento da HDC, que é a possiblidade de se colocar um balão na traqueia do feto durante a gestação, em casos específicos, para melhorar a função pulmonar”, destaca. Esse procedimento de colocar o balão também é realizado no Hospital Vila da Serra pela equipe de Medicina Fetal e vem contribuindo muito para a melhoria do resultado cirúrgico e do tratamento como um todo, destaca o Dr. Marco Antônio.

A equipe foi composta por dois anestesiologistas e três cirurgiões, além do pessoal de Enfermagem. O sucesso da cirurgia começou nos preparos anestésicos, com o aquecimento do bebê com manta térmica, punção de uma artéria para monitorar a pressão e também colher sangue para exames durante a cirurgia, punção de uma veia profunda para medicação, além da rotina de monitorização, informa o médico.

“No hospital Vila da Serra tenho tido o privilégio de receber as gestantes com diagnóstico confirmado, para uma consulta e orientação pré-natal sobre a doença com uma visão de cirurgião pediátrico. Em casos específicos tenho participado da Sala de Parto no momento do nascimento, atuando junto com os colegas pediatras, iniciando as medidas de tratamento ainda naquele momento. Tudo isto tem cooperado para um bom resultado final, apesar da gravidade da doença. Hoje, celebramos um marco na cirurgia pediátrica ao realizarmos o primeiro tratamento laparoscópico de uma hérnia diafragmática congênita muito bem-sucedido em um bebê de 2.880gr. Não posso deixar de enfatizar que isto é um trabalho de equipe e sou grato a todos que participaram comigo neste momento. ”

Mas o que é hérnia diafragmática congênita?  O Dr. Marco Antônio Viana Gomes explica que “a HDC é uma malformação congênita do músculo diafragma. Ele separa o tórax do abdome e é o principal músculo envolvido no processo da respiração. Na hérnia diafragmática congênita, o defeito do músculo consiste em um orifício que pode variar em tamanho, desde uma pequena falha até a ausência total do músculo no lado da hérnia. Como o defeito ocorre ainda na formação do feto, os órgãos abdominais migram para o tórax, ocupando o lugar do pulmão. Em uma hérnia diafragmática congênita podemos ter o estomago, intestino, baço e parte do fígado dentro do tórax. Consequentemente, há uma compressão do pulmão, levando a um comprometimento do desenvolvimento pulmonar, que pode ser leve ou extremamente grave. A doença torna-se mais grave ainda quando temos outras malformações congênitas associadas”.

O especialista ressalta que a hérnia diagramática congênita é uma doença de risco, ainda com uma mortalidade elevada. O diagnóstico precoce reduz muito as mortes e minimiza as complicações.  Atualmente, com o ultrassom amplamente acessível, é inaceitável que um bebê com este diagnóstico venha a nascer em um hospital que não disponha de todos os recursos necessários. No caso do Vila da Serra, contamos com um Serviço de Cirurgia Pediátrica qualificado e bem preparado, uma equipe de anestesiologistas experientes, um bloco cirúrgico devidamente equipado e um CTI Neonatal também bem equipado com ventiladores de alta frequência especiais, para os casos mais graves, e com médicos intensivistas que conhecem bem a doença.

Sintomas – De acordo com o Dr. Marco Antônio Gomes, a principal manifestação da HDC é a insuficiência respiratória, que se inicia logo após o nascimento do bebê, ou seja, uma dificuldade de respirar e de oxigenar os demais órgãos. “Além dos sintomas respiratórios, o recém-nascido pode apresentar choque circulatório, comprometendo a chegada de sangue aos órgãos vitais.  Na ausência de hipoplasia pulmonar, ou nos casos muito leves, a HDC pode ser assintomática, com diagnóstico tardio e casual como, por exemplo, em um exame de raio X de tórax em um pronto atendimento por outros motivos.

A causa da doença ainda não é muito bem conhecida, mas sabe-se que se deve a uma má formação das estruturas do músculo diafragma, o qual se forma na terceira semana de gestação através da fusão de algumas membranas. Nesse momento, ocorre uma falha na fusão ocasionando a hérnia.

Sobre os principais benefícios dessa cirurgia, através de vídeo, o Dr. Marco Antônio Viana Gomes salienta que “como toda cirurgia, as indicações das abordagens são individualizadas. Quando comparamos pacientes com as mesmas indicações, a cirurgia por vídeo é uma cirurgia menos agressiva e, consequentemente, com uma recuperação melhor e mais rápida.

Na técnica aberta, fazemos uma incisão maior no abdome para fechar o diafragma. Nesse caso há uma secção dos músculos da parede do abdome, retardando a recuperação do bebê. Nas cirurgias por vídeo, por serem menos agressivas, podemos ainda iniciar a dieta precocemente e acelerar a alta hospitalar, lembrando que tudo isso depende da gravidade da doença. Nesse sentido, temos que avaliar bem o paciente na escolha adequada da técnica cirúrgica. Além do resultado funcional, que é o mais importante, temos um resultado estético muito melhor com esse procedimento”.

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