Obesidade e doenças cardiovasculares: risco de morte

Entre as seis maiores causas de morte no país, quatro estão intrinsecamente ligadas ao excesso de peso: infarto, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes e hipertensão.
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A obesidade é reconhecida como doença crônica e fator de risco independente para o sistema circulatório. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes o Brasil, vitimando cerca de 400 mil pessoas anualmente. Entre as seis maiores causas de morte no país, quatro estão intrinsecamente ligadas ao excesso de peso: infarto, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes e hipertensão.
Essa correlação é reforçada por levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo estudo Global Burden of Disease (GBD), que apontam que, quase 10% das mortes por doenças do coração, hoje têm como causa direta as complicações metabólicas geradas pela obesidade. O cenário alerta para a necessidade urgente de encarar o controle do peso como uma das principais estratégias de prevenção de saúde.
O excesso de peso, ou seja, o sobrepeso ou obesidade envolve uma inflamação crônica que pode provocar alterações estruturais e funcionais no organismo. “O acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, desencadeia um processo inflamatório que pode causar a formação de placas nas artérias. Esse processo impacta diretamente o coração e todo o sistema cardiovascular”, explica a cardiologista Dra. Viviane Giraldez/São Paulo/SP. Por isso, a propósito do recente Dia Mundial da Obesidade ocorrido no dia 4 de março, especialistas do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo/SP, alertam: de acordo com dados da World Obesity Federation, as mortes por doenças cardiovasculares associadas ao índice de massa corporal (IMC) elevado mais que dobraram em três décadas, alcançando 1,9 milhão ao ano – patamar mantido entre 2021 e 2025. Quando somado a outras doenças, está associado a 3,7 milhões de mortes por ano.
A gordura visceral — aquela que se concentra no abdome e envolve os órgãos, é a mais perigosa. “Esse acúmulo de gordura atrapalha o funcionamento da insulina e faz com que o fígado produza e libere mais gordura no sangue. O resultado é um perfil lipídico (exame que mede as gorduras no sangue) muito mais agressivo”, explica a médica, destacando que essa condição cria uma combinação perigosa: o aumento dos triglicérides e uma mudança do LDL (o colesterol ‘ruim’, que fica menor e mais denso), ao mesmo tempo em que o HDL (o colesterol ‘bom’) diminui. Juntos, esses fatores facilitam a obstrução dos vasos sanguíneos, aumentando drasticamente o risco de infartos e derrames.
A presença de pacientes jovens com comprometimento coronariano ligado à obesidade e descontrole metabólico — um reflexo direto das mudanças no estilo de vida, complementa o Dr. Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor. Se a tendência persistir, estimativas indicam que, até 2050, quase dois terços da população adulta mundial estarão acima do peso, ampliando ainda mais o impacto cardiovascular. “Alimentação balanceada, prática regular de exercícios e acompanhamento médico seguem como pilares essenciais para conter essa progressão”, enfatiza.




