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Setembro Amarelo- A vida por um fio

Por Deborah Dubner:  psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva

Há momentos em que a vida perde as cores, as texturas e os sabores. A música silencia e o abraço paralisa. Quando a dor ocupa espaço demais, enxergar uma saída pode parecer impossível. É justamente nesses contextos que os vínculos positivos e o amor podem fazer toda a diferença.

Na visão da Psicologia Positiva, impulsionada nos anos 1990 pelo psicólogo americano Martin Seligman, os relacionamentos são um dos pilares do bem-estar. Essa abordagem investiga recursos internos que contribuem para o florescimento mesmo diante das adversidades, como significado, forças pessoais, engajamento e emoções positivas. Em situações de sofrimento extremo, alguns desses recursos podem se tornar mais difíceis de acessar. 

Quando a dor estreita o mundo – Em estados de dor intensa, nosso campo de percepção e pensamento pode se estreitar, tornando mais difícil enxergar caminhos e possibilidades. A vida pode ficar por um fio. Diante de uma ameaça, esse estreitamento pode ser uma resposta natural de proteção. O problema surge quando o sofrimento se prolonga e passa a ocupar espaço demais. Daí a importância de acolher as emoções difíceis e não deixar alguém sozinho nesse “túnel de solidão”.

Emoções positivas podem ampliar o campo – A psicóloga e cientista americana Barbara Fredrickson propõe, em sua teoria Broaden-and-Build (Ampliar e Construir), que, enquanto emoções associadas à ameaça estreitam a percepção, o pensamento e as ações, as emoções positivas — como alegria, serenidade, interesse e amor — ampliam nosso campo de percepção. Isso não significa negar emoções desagradáveis, que também são importantes. A questão é compreender que pequenos momentos de abertura podem ampliar aquilo que conseguimos perceber, pensar e fazer.

Conexão humana: fator de proteção – Com frequência, o fio que nos liga à vida passa pelas mãos de outras pessoas. Pertencimento, apoio social e proximidade são fatores protetivos, enquanto isolamento e solidão podem aumentar a vulnerabilidade.

Estamos biologicamente preparados para a conexão. Vínculos significativos podem oferecer proteção: ter alguém a quem recorrer, sentir-se escutado, acolhido e valorizado pode fazer diferença nos períodos de angústia.

Falar de prevenção também é falar de laços e amor. Nem sempre conseguimos retirar alguém da dor, mas podemos ajudá-lo a não a atravessar sozinho. O amor não substitui o cuidado profissional, mas pode ser uma força de conexão com a vida e uma fonte de esperança.

Como ajudar – Não precisamos resolver a dor do outro para nos aproximarmos dela. Perguntar, escutar sem julgamento, levar manifestações suicidas a sério, ajudar na busca por atendimento profissional e não deixar a pessoa sozinha diante de um risco imediato são ações fundamentais.

Perguntar diretamente sobre o suicídio não aumenta o risco e pode abrir um espaço seguro para que a pessoa fale sobre o que está vivendo.

Podemos permanecer ao lado dela e ajudá-la a encontrar caminhos para que novas possibilidades apareçam no horizonte. Se alguém ao seu redor está sofrendo, este talvez seja o momento de perguntar, de ligar ou de, simplesmente, estar por perto.

Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que precisa, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situação de risco imediato, procure um serviço de emergência.

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