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Técnica para tratamento das doenças do útero, a micro histeroscopia, completa 35 anos no Brasil

   O ginecologista Walter Pace, pioneiro da micro histeroscopia no Brasil

Desde Hipócrates, médicos e cientistas tentam investigar as cavidades do corpo humano e seus conteúdos para melhorar a qualidade do diagnóstico e tratamento de doenças. Entretanto, a cirurgia tradicional tem sido substituída, sempre que possível, por procedimentos minimamente invasivos, como é o caso da micro histeroscopia, uma técnica desenvolvida na segunda metade do século XX, que é realizada no Brasil há 35 anos.

Pioneiro na técnica no país, o Dr. Walter Pace, vice-presidente do Pace Hospital (PHD)- Belo Horizonte, Professor Doutor de Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) e coordenador da Pós-graduação em Cirurgia Minimamente Invasiva da mesma instituição, reafirma a importância do procedimento que usa lentes milimétricas e equipamentos que fazem a expansão do órgão para o diagnóstico e tratamento de males do útero.

“Como procedimento minimamente invasivo, a micro histeroscopia tem uma grande resolução, sendo o padrão ouro para o diagnóstico e tratamento de doenças intrauterinas. Para casos de tratamento, o procedimento pode ser realizado no ambulatório, permitindo uma visão nítida da cavidade uterina. As pacientes também têm ganhos já que não é preciso sedação e o tempo de recuperação é bem menor que na técnica tradicional”, enfatiza.

Micro histeroscopia no Brasil – Em 1984, o inventor do micro histeroscópio, Jacques Hamou, esteve em Natal (RN), a convite dos médicos Kleber Morais e René Frydman, quando fez uma demonstração micro histeroscopia. O procedimento foi realizado com a ótica Hamou-1, de 4 mm, substancialmente mais fina que as anteriores, com soro fisiológico como meio de distensão da cavidade uterina, em ambiente ambulatorial, sem necessidade de anestesia e dilatação do colo uterino.

No ano seguinte, o ginecologista mineiro Walter Pace foi o primeiro brasileiro a realizar uma micro histeroscopia no Brasil, em Belo Horizonte. Ele acabava de retornar da França, após uma pós graduação de três anos, na qual conheceu Hamou e a nova técnica.

Males do útero – Na prática, a histeroscopia é indicada para o tratamento de miomas, pólipos, correção de má formação uterina, de aderência intrauterina, adenomiose, hiperplasia e, ainda, casos de infecção que, na maioria das vezes têm sintomas como sangramento exagerado, cólicas, infertilidade e abortos recorrentes.

A evolução contínua da técnica tem sido acompanhada pelos especialistas. “No início, fazíamos cursos rápidos, de uma semana por todo o país, para apresentá-la para os médicos e vencer a resistência das pacientes em fazer os procedimentos minimamente invasivos pela via vaginal. Hoje, temos a Pós-graduação em Cirurgia Minimamente Invasiva, com o curso de histeroscopia, com duração de nove meses, que ensina passo a passo a técnica, que é amplamente usado em todo o mundo”, conclui.

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