Férias escolares: como conciliar trabalho, filhos e bem-estar emocional

Ajustar expectativas é um passo importante para proteger a saúde mental de toda a família
Foto-crédito: Magnific
Com as férias escolares, milhares de famílias brasileiras enfrentam o desafio de equilibrar a rotina profissional com os cuidados intensivos com as crianças. Para quem trabalha em home office, a casa passa a concentrar, ao mesmo tempo, escritório, espaço de lazer e ambiente familiar, o que pode aumentar a sensação de sobrecarga e impactar diretamente a saúde mental.
A situação não é nova, mas permanece atual. Um estudo intitulado “Segurando um milhão de pratinhos: teletrabalho e parentalidade na pandemia”, publicado na revista científica Psicologia & Sociedade, mostra que a conciliação entre trabalho remoto e parentalidade gera conflitos constantes entre as demandas profissionais e familiares. A pesquisa descreve a experiência de mães e pais como a de “segurar um milhão de pratinhos”, evidenciando a pressão para atender simultaneamente às responsabilidades do trabalho, da casa e dos filhos.
Segundo Dr. Ricardo Patitucci/Rio de Janeiro/RJ, diretor técnico e médico psiquiatra da ViV Saúde Mental e Emocional, o principal erro é acreditar que será possível manter exatamente a produtividade de uma rotina sem crianças em casa. “As férias mudam a dinâmica familiar e isso precisa ser reconhecido. Quando pais e mães tentam sustentar o mesmo ritmo de trabalho enquanto atendem às necessidades dos filhos, o resultado costuma ser um acúmulo de estresse, culpa e frustração. Ajustar expectativas é um passo importante para proteger a saúde mental de toda a família”, afirma.
Conforme explica, pequenas mudanças podem fazer diferença, como estabelecer horários previsíveis para trabalho e lazer, dividir responsabilidades entre os adultos da casa quando possível e incluir as crianças na organização da rotina.
“Nem sempre será possível oferecer entretenimento o tempo todo, e isso não significa falha na parentalidade. O tédio também faz parte do desenvolvimento infantil e pode estimular criatividade e autonomia. O mais importante é que os momentos de convivência sejam de qualidade, sem que os pais se sintam pressionados a estar disponíveis integralmente durante todo o dia”, ressalta.
O psiquiatra reforça ainda que sinais como irritabilidade frequente, dificuldade para dormir, sensação constante de exaustão e perda do prazer nas atividades diárias merecem atenção. Nesse sentido, destaca: “cuidar da própria saúde mental não é um ato de egoísmo, mas uma necessidade para quem cuida de outras pessoas. Buscar apoio da rede familiar, negociar demandas profissionais quando possível e reservar pequenos momentos de descanso ajudam a reduzir a sobrecarga e tornam as férias mais leves para pais, mães e filhos.”




