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Como aplicar limites aos filhos? Psicólogo ensina sete estratégias valiosas

Imagem: Pixabay

A disciplina na educação é essencial para o desenvolvimento das crianças, mas quase sempre representa um dilema para os pais, diante de birras ou mesmo da recusa dos pequenos em cumprir combinados. Vale lembrar que colocar limites costuma ser algo bastante desafiador.  “Porém, dizer não para o filho é importante para o fortalecimento da autoestima e aprendizado do respeito e regras de boa convivência social, assim como  para o manejo adequado das emoções, por toda a vida”, diz Filipe Colombini, psicólogo, de São Paulo/SP, orientador parental e fundador da Equipe AT.

Segundo o especialista, o acolhimento e o afeto são alicerces sólidos para uma comunicação aberta e positiva, fundamental na hora de se colocar regras.  E, pelo contrário, punições desmedidas ou castigos físicos, apesar de ainda serem práticas comuns, jamais terão resultados positivos, podendo gerar traumas para a criança.

Como forma de orientar os pais, ele aponta, a seguir, sete estratégias que vão ajudar a colocar limites a seus filhos, sem violência:

Conheça seu filho: é importante entender o padrão de comportamento do seu filho, assim como também é fundamental conhecer as fases do desenvolvimento humano e o que se passa no corpo e na mente da criança ou adolescente, biologicamente. “Os pais não devem exigir mais do que o filho pode, em termos de maturação neuropsicológica e cerebral, e também no que diz respeito ao desenvolvimento de autocontrole e regulação emocional”, explica Colombini. “Por exemplo, uma criança de sete anos não poderia ser cobrada sobre ter responsabilidade para os estudos”, exemplifica.

Trabalhe seu emocional: durante o processo de estabelecer limites, os pais podem se deparar com sentimentos de desconforto, raiva ou frustração. ”Para dar limites é preciso ter as emoções reguladas”, afirma o psicólogo. “Educar é desafiador, por isso, é importante identificar padrões negativos e buscar autoconhecimento. Se os pais sentirem dificuldades, vale buscar a orientação parental, com suporte psicológico”.

Seja um modelo para seu filho: muitas vezes, regras impostas para os pequenos não são respeitadas pelos próprios pais, o que pode iniciar um conflito. “A criança percebe o comportamento dos adultos e, muitas vezes, o replica. Quando os pais falam para os filhos para não usar o celular durante o jantar, por exemplo, e não obedecem a regra, há uma incoerência entre o dizer e o fazer, o que pode levar a criança a não aceitar mais esse limite”, ilustra o psicólogo.

Mantenha os combinados: qualquer tipo de punição que acontece sem que limites sejam estabelecidos antecipadamente vai gerar dúvidas e confusões entre os pequenos. “É importante que as crianças saibam que suas ações têm consequências e que elas possuem direitos e deveres. Por isso, é essencial que os combinados feitos entre a família sejam sempre respeitados. Se a criança ficar triste, o pai deve conversar e acolher, mas nunca invalidar ou relaxar as regras”, diz Colombini.

Use recompensas: estabelecer prêmios por bom comportamento ou pela realização de tarefas também é uma boa forma de motivar as crianças. “Recompensar não significa chantagem, por isso, oferecer um presente para mostrar que você valoriza o esforço do seu filho pode ser bastante válido”, afirma o especialista. “Apenas se deve tomar cuidado para evitar os reforçadores livres, ou seja, agrados e gratificações de forma indiscriminada”.

Tenham consistência, enquanto casal: é essencial que toda a família entenda a importância das obrigações exigidas para as crianças. “Os pais devem se manter muito seguros sobre as regras definidas. Por isso, não deve haver discordância entre os responsáveis, pai e mãe, sobre os combinados na frente das crianças, que podem ver isso como uma inconsistência”, alerta o especialista.

Quando necessário, seja flexível: é claro que também existem momentos em que alguns combinados podem ser mudados, dependendo da situação. “Ter regras não significa ter rigidez. Por exemplo, se seu filho foi mal na prova porque estava doente e não conseguiu estudar, talvez seja o caso de ele não receber uma punição. Isso será importante para ele não perder a motivação dali para frente”, explica o psicólogo.

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