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Como as pessoas estão fazendo sexo em tempo de pandemia?

A psicóloga/psicanalista Heloisa Mamede e a psicóloga/sexóloga Walkiria Fernandes abordam questões como sexo híbrido, masturbação e brinquedos eróticos, comportamento sexual de muitas pessoas.

A pandemia da covid-19 mudou muito a vida das pessoas, nos mais diversos aspectos, como, por exemplo, a forma de trabalhar, de fazer compras, de participar de eventos culturais e sociais, de estudar e, evidentemente, na forma de praticar sexo. Nessa área, algumas adaptações têm sido feitas, uma delas é o aumento do denominado “sexo híbrido”, que consiste na utilização dos recursos tecnológicos, que, normalmente, são on-line, antes do encontro presencial.

Por outro lado, o tempo difícil de pandemia, com perdas de pessoas queridas, amigos e parentes infectados, em recuperação, desemprego, preços altos nos supermercados, além do desgaste nas relações devido ao excesso de convívio dos casais, não deixa também de afetar o interesse sexual. Mas, em contrapartida, é sempre importante destacar que os casais que se dão bem nos diversos aspectos da vida, nesse tempo de pandemia solidificaram a relação.

No tocante à masturbação, que, inclusive, foi incentivada em alguns países, como forma de prazer seguro em tempo de pandemia, levou a um aumento na venda dos chamados brinquedos eróticos. Mas isso seria saudável por muito tempo?

Sobre essa realidade atual, que envolve casais de todo tipo no mundo contemporâneo, e, também, é claro, os muitos solteiros, o Portal Medicina e Saúde ouviu alguns especialistas.

Em confinamentoPara a psicóloga e psicanalista, Heloisa Mamede, de Belo Horizonte, “dois aspectos se distinguem quando relacionamos o isolamento social em consequência da pandemia com os diferentes aspectos emocionais, inclusive o que diz respeito à vida sexual em confinamento”.

Em um deles, destaca, “devemos levar em consideração o que existia antes em se tratando da invisibilidade, ou seja, de olhar sem querer ver o que já acontecia, porque a zona de conforto da rotina diária trazia a sensação de segurança que tudo estava bem em relação à vida pessoal de cada um e a sua convivência com os demais”.

O segundo aspecto, observa a psicóloga e psicanalista, “diz respeito à evolução da sociedade contemporânea referente aos mitos sexuais que existiam e que estão sendo questionados. Entre eles citamos: a iniciativa de fazer sexo deveria ser sempre do homem e a mulher nunca poderia dizer não; o tabu da virgindade feminina; a proibição do ato da masturbação porque “fazia mal”; e o fato de que a mulher, sendo mãe, tornava-se “santa” e, portanto, não poderia se entregar a todos os prazeres que a vida sexual do casal proporcionava. Esses mitos ainda existem por aí em diferentes culturas”.

O “fazer sexo”, com todas as suas implicações, tornava-se engessado, desmotivado, quase uma obrigação, inclusive usado como uma ferramenta para reprodução e constituição de uma família, provando assim a capacidade masculina do “macho alfa”, pontua Heloisa Mamede, questionando: mas o que mudou com a pandemia? Talvez tenha aumentado a dificuldade de busca presencialmente um parceiro, observa, ponderando que a internet se tornou uma ferramenta valiosa nessa procura.

Quanto ao aspecto de relações amorosas, para ela houve ganhos com o confinamento, como maior visibilidade de problemas que já existiam, o tempo para o casal dialogar tornou-se maior, mais agilidade na resolução de conflitos.

O aumento atual no número de divórcios é uma constatação de uma realidade que há muito já existia mascarada pela comodidade de uma vivência a dois, conclui.

Sexo híbrido – De acordo com a psicóloga e sexóloga Walkiria Fernandes, de Belo Horizonte, “realmente a Pandemia da Covid-19 trouxe diversas mudanças na vida das pessoas em diversos aspectos, inclusive no sexual. Pessoas casadas ou em um relacionamento estável, sofreram menos com as mudanças do que as pessoas solteiras, já que para essas, sair e conhecer outras pessoas para iniciar um relacionamento ou um contato mais íntimo, passou a significar um certo risco em relação a um possível contágio da doença. Desta forma, o chamado “sexo híbrido” passou a ser utilizado em alguns casos, até mesmo como um substituto do sexo presencial.

Quanto ao aumento da procura por brinquedos eróticos e da prática da masturbação por um período prolongado de tempo, o que se torna importante salientar é como isso poderá afetar a sexualidade das pessoas. Isso parece ter a ver com a maneira pela qual as pessoas já lidavam com a sexualidade delas, antes da pandemia. As que já tinham motivação e prazer no sexo, caso prefiram optar por não terem contato com outras pessoas em época de pandemia, irão buscar a masturbação como uma alternativa mais segura de ter excitação, prazer e orgasmo, apenas como uma substituição momentânea do sexo, sem que com isso possam ter algum prejuízo na sua sexualidade.

Ao contrário das que vivenciavam insegurança com a sua performance ou com a iniciativa de um novo contato, por timidez ou pouca autoconfiança, o aumento da prática da masturbação poderá ser visto como uma maneira de encontrar a excitação, prazer e orgasmo sem o sentimento de ansiedade que o encontro presencial pode causar. Desta forma, a prática da masturbação e da pornografia parecem aliviar a angústia diante do “enfrentamento” do contato com o outro, podendo assim ser vivenciada de forma mais contínua e não temporária, como nas outras pessoas citadas acima. “Sendo assim, a prática da masturbação pode passar a ser uma substituição do sexo, mesmo após a pandemia. Nesses casos pode haver um prejuízo na sexualidade dessas pessoas pois, ter relações sexuais prazerosas e um bom contato com o outro são fundamentais para a nossa saúde física e mental”, analisa.

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