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Infertilidade masculina causa dificuldades para engravidar entre 50% dos casais com o problema

Ginecologista Rodrigo Hurtado, da Clínica Origen/BH:infelizmente, vem se tornando cada vez mais comum, e com consequências cada vez mais graves, o uso de esteroides anabolizantes”

Apesar de ser um problema comumente atrelado à saúde da mulher, os homens também podem sofrer com a infertilidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência de infertilidade conjugal no mundo hoje é de 20%. Levantadas pelas sociedades de reprodução assistida, em parceria com a European Society for Human Reproduction and Embriology e com a American Society for Reproductive Medicine, as estatísticas destacam a dificuldade que casais apresentam ao tentar engravidar. Desse montante, 50% dos casos diagnosticáveis devem-se à infertilidade masculina, um problema que, embora seja cercado de tabus, tem tratamento.

Apesar de não haver uma idade mais propensa para que a esterilidade masculina ocorra, na adolescência o tratamento apresenta melhoras mais significativas. “Por esse motivo, afastar precocemente as causas mais associadas ao problema é fundamental para evitar a incidência futura”, destaca o ginecologista da Clínica de Reprodução Humana Origen BH, Dr. Rodrigo Hurtado. 

Causas – Mestre e doutor em Saúde da Mulher e também professor do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Dr. Hurtado explica que há quatro causas mais importantes da infertilidade masculina: doenças genéticas – que incluem alterações cromossômicas; alterações hormonais, influência ambiental ou ocupacional (toxicidade por metais pesados, altas temperaturas, tratamentos hormonais, pesticidas); estilo de vida (uso de álcool, drogas, tabaco, stress emocional, exposição a fatores infecciosos); e algumas doenças, como varicocele, infecção sexualmente transmissível, traumatismo testicular, complicações de processos infecciosos na infância (caxumba, rubéola e doenças autoimunes). Além disso, o volume testicular diminuído (atrofia testicular) é fator de risco importante por ter relação direta com baixa produção de espermatozoides.

Uma situação que, infelizmente, vem se tornando cada vez mais comum, e com consequências cada vez mais graves, é o uso de esteroides anabolizantes como potencializadores de ganho de massa muscular e aceleradores de perda de gordura corporal.

O indivíduo que usa testosterona, oxiandrolona e DHEA (dihidroepiandrosterona) para promover melhor performance durante os treinos causa uma supressão da produção de androgênios pelo próprio organismo, o que leva a uma diminuição muito acentuada da produção de espermatozoides, além do risco aumentado para infarto miocárdico, derrame cerebral, insuficiência hepática e até mesmo câncer de testículo. Por causa disso, as sociedades de Endocrinologia e Reprodução Humana não endossam o uso de esteroides anabolizantes como adjuvantes para prática esportiva, e os comitês esportivos o condenam.

Segundo o médico, dependendo das doses utilizadas e do tempo de uso, a supressão pode comprometer a produção espermática de maneira irreversível.

Tratamento e taxas de sucesso – A boa notícia é que todos os casos podem ser tratados por meio de técnicas de reprodução assistida. O que varia é o tipo de tratamento proposto, que abrange uso de medicamentos e inseminação intrauterina, passando por fertilização in vitro, biópsia testicular, até uso de sêmen heterólogo (banco de sêmen).

Consultar um especialista em infertilidade é o passo mais importante no processo de tomada de decisão sobre as formas de tratamento e suas indicações. “O médico infertileuta é capaz de otimizar os resultados reprodutivos, combinando informações sobre genética, fisiologia reprodutiva, terapia hormonal, cirurgia urológica e técnicas de reprodução assistida. Uma vez delineada a estratégia de tratamento, outros especialistas são acionados contribuindo com o resultado”, explica dr. Rodrigo Hurtado, observando que o somatório de diferentes tratamentos clínicos ou cirúrgicos realizados de forma correta e, principalmente, no momento adequado, é o que define o melhor prognóstico.

“Tratamentos conhecidos, como de baixa complexidade, atingem taxas de sucesso de 20%-25% por tentativa. Já tratamentos mais sofisticados, como a fertilização in vitro, alcançam resultados de 50%-60% por tentativa. As taxas cumulativas, após até três tentativas, superam 85%”, destaca o médico.

“O importante é começarmos pelo diagnóstico correto. De acordo com a causa da infertilidade masculina, o especialista indicará o tratamento mais adequado e o procedimento ideal a ser adotado”, conclui.

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