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Saúde mental: empresas devem ficar atentas à Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, já em vigor

Viviane Alvarenga: “para muitas empresas, principalmente pequenas e médias, a principal dúvida agora é entender o que precisa ser feito na prática”

A saúde mental deixou de ser apenas um tema de debate interno nas empresas e passou oficialmente a integrar as obrigações relacionadas à segurança do trabalho no Brasil. Desde 26 de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, já está em vigor e exige que as empresas incluam os chamados riscos psicossociais em seus processos de gestão ocupacional.

Na prática, isso significa que fatores como excesso de pressão, jornadas desgastantes, metas abusivas, conflitos internos, sobrecarga e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional precisam ser avaliados, registrados e acompanhados pelas organizações, da mesma forma que já acontece com riscos físicos e ergonômicos.

A mudança acontece em um momento crítico. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica. Ansiedade, depressão e burnout estão entre os principais motivos. Para muitas empresas, principalmente pequenas e médias, a principal dúvida agora é entender o que precisa ser feito na prática.

Segundo Viviane Alvarenga, Diretora de Gente & Gestão da Farmarcas e da Febrafar, o primeiro passo é compreender que a NR-1 não exige estruturas complexas, mas, sim, organização e atenção real ao ambiente de trabalho. “A gente nunca viveu uma onda de necessidade de cuidado com saúde mental como a que estamos vivendo agora. E isso não tem relação com um único fator. É um contexto complexo, que envolve desde os impactos da pandemia até a dificuldade das pessoas em equilibrar vida pessoal e profissional”, afirma.

A mudança, afirma, não acontece apenas no Brasil. “As pessoas estão mais cansadas, buscando mais equilíbrio, repensando a forma de trabalhar e viver.”

Mas o que muda na prática com a NR-1? – A nova exigência amplia o escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR, que passa, agora, a considerar também os impactos emocionais e psicológicos do trabalho. Com isso, as empresas precisam começar a olhar de forma estruturada para situações como:

  • Pressão excessiva por resultados
  • Sobrecarga de tarefas
  • Jornadas desequilibradas
  • Falta de pausas adequadas
  • Ambientes de conflito
  • Lideranças despreparadas
  • Falta de canais de escuta
  • Problemas relacionados ao bem-estar emocional

Segundo Viviane, o maior erro é acreditar que tudo isso exige uma grande estrutura corporativa. “Muitos empresários acreditam que precisam de um RH robusto ou áreas especializadas para atender à NR-1. Mas não é isso que a norma exige. Ela exige cuidado e organização”, explica.

Passo a passo: como começar a adequação – A especialista aponta que as empresas podem iniciar o processo com medidas práticas e progressivas.

1. Mapear os riscos emocionais do ambiente – O primeiro passo é identificar os fatores que podem gerar desgaste psicológico nas equipes. Isso inclui avaliar excesso de carga de trabalho, clima organizacional, pressão por metas, conflitos internos e dificuldades de comunicação. “Muitas vezes a empresa já percebe que existem problemas, mas isso nunca foi estruturado ou documentado”, afirma Viviane.

2. Registrar tudo formalmente – A NR-1 exige comprovação. Por isso, ações que antes eram informais agora precisam estar registradas dentro do PGR. Treinamentos, reuniões, programas de bem-estar, ações de qualidade de vida e iniciativas de apoio emocional precisam gerar evidências documentais. “Muitas empresas já fazem iniciativas importantes, como treinamentos, benefícios e ações de bem-estar, mas não documentam. Sem isso, não conseguem comprovar em uma fiscalização”, alerta.

3. Revisar jornadas e limites de trabalho – Outro ponto central da atualização é a avaliação das rotinas de trabalho. Empresas devem revisar excesso de horas, falta de pausas, acúmulo de funções e disponibilidade constante fora do expediente. “A dificuldade começa antes da implementação, quando a empresa não entende que pode começar com ações simples, como conversas estruturadas, definição clara de jornadas e respeito aos limites de trabalho”, explica Viviane.

4. Criar canais de escuta – A norma também fortalece a necessidade de ambientes mais seguros para diálogo. As empresas precisam criar mecanismos para que colaboradores possam relatar dificuldades, pressões ou situações de desgaste emocional. Isso pode acontecer por meio de reuniões periódicas, pesquisas internas, acompanhamento de lideranças ou canais específicos de acolhimento.

5. Preparar lideranças – Gestores passam a ter papel estratégico dentro da nova NR-1. Lideranças despreparadas podem ampliar conflitos, aumentar pressão emocional e elevar riscos psicossociais dentro das equipes. Por isso, treinamentos voltados à comunicação, gestão de pessoas e equilíbrio emocional ganham ainda mais importância.

Fiscalização baseada em dados – De acordo com a Viviane Alvarenga, a atualização da NR-1 também amplia o cruzamento de informações por parte do governo. Indicadores ligados à saúde ocupacional passam a ser acompanhados com mais profundidade, inclusive por meio de sistemas como o eSocial. “Hoje, a fiscalização não depende apenas de denúncia. Os dados já estão disponíveis, o que aumenta o nível de responsabilidade das empresas”, observa.

Saúde financeira também entra no radarUm dos pontos que mais chama atenção é que a saúde financeira dos colaboradores passa a ser vista como fator ligado aos riscos psicossociais. Segundo Viviane, o endividamento afeta diretamente o desempenho emocional e profissional: “O endividamento impacta diretamente a saúde mental. Pessoas com problemas financeiros têm dificuldade para dormir, para se concentrar e acabam levando isso para o ambiente de trabalho.” Com isso, programas de educação financeira e orientação aos colaboradores podem passar a fazer parte das estratégias preventivas das empresas.

Mais do que obrigação legal – Para especialistas, a atualização da NR-1 consolida uma transformação mais ampla na gestão corporativa. A tendência é que saúde emocional deixe de ser tratada apenas como benefício e passe a integrar diretamente a sustentabilidade dos negócios.

A proposta não é criar mais uma regra ou aumentar a pressão sobre as empresas, ressalta a diretora. “Quando a gente estrutura um ambiente saudável, isso naturalmente melhora o comportamento e a produtividade”, pontua.

Conforme destaca, empresas que conseguem organizar melhor o ambiente de trabalho tendem a reduzir afastamentos, melhorar engajamento e aumentar resultados. “Não é sobre aumentar custo ou burocracia. É sobre estruturar melhor o ambiente de trabalho. Empresas que fazem isso tendem a ter menos afastamentos, mais engajamento e melhores resultados”, afirma.

Viviane Alvarenga: “para muitas empresas, principalmente pequenas e médias, a principal dúvida agora é entender o que precisa ser feito na prática”

A saúde mental deixou de ser apenas um tema de debate interno nas empresas e passou oficialmente a integrar as obrigações relacionadas à segurança do trabalho no Brasil. Desde 26 de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, já está em vigor e exige que as empresas incluam os chamados riscos psicossociais em seus processos de gestão ocupacional.

Na prática, isso significa que fatores como excesso de pressão, jornadas desgastantes, metas abusivas, conflitos internos, sobrecarga e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional precisam ser avaliados, registrados e acompanhados pelas organizações, da mesma forma que já acontece com riscos físicos e ergonômicos.

A mudança acontece em um momento crítico. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica. Ansiedade, depressão e burnout estão entre os principais motivos. Para muitas empresas, principalmente pequenas e médias, a principal dúvida agora é entender o que precisa ser feito na prática.

Segundo Viviane Alvarenga, Diretora de Gente & Gestão da Farmarcas e da Febrafar, o primeiro passo é compreender que a NR-1 não exige estruturas complexas, mas, sim, organização e atenção real ao ambiente de trabalho. “A gente nunca viveu uma onda de necessidade de cuidado com saúde mental como a que estamos vivendo agora. E isso não tem relação com um único fator. É um contexto complexo, que envolve desde os impactos da pandemia até a dificuldade das pessoas em equilibrar vida pessoal e profissional”, afirma.

A mudança, afirma, não acontece apenas no Brasil. “As pessoas estão mais cansadas, buscando mais equilíbrio, repensando a forma de trabalhar e viver.”

Mas o que muda na prática com a NR-1? – A nova exigência amplia o escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR, que passa, agora, a considerar também os impactos emocionais e psicológicos do trabalho. Com isso, as empresas precisam começar a olhar de forma estruturada para situações como:

  • Pressão excessiva por resultados
  • Sobrecarga de tarefas
  • Jornadas desequilibradas
  • Falta de pausas adequadas
  • Ambientes de conflito
  • Lideranças despreparadas
  • Falta de canais de escuta
  • Problemas relacionados ao bem-estar emocional

Segundo Viviane, o maior erro é acreditar que tudo isso exige uma grande estrutura corporativa. “Muitos empresários acreditam que precisam de um RH robusto ou áreas especializadas para atender à NR-1. Mas não é isso que a norma exige. Ela exige cuidado e organização”, explica.

Passo a passo: como começar a adequação – A especialista aponta que as empresas podem iniciar o processo com medidas práticas e progressivas.

1. Mapear os riscos emocionais do ambiente – O primeiro passo é identificar os fatores que podem gerar desgaste psicológico nas equipes. Isso inclui avaliar excesso de carga de trabalho, clima organizacional, pressão por metas, conflitos internos e dificuldades de comunicação. “Muitas vezes a empresa já percebe que existem problemas, mas isso nunca foi estruturado ou documentado”, afirma Viviane.

2. Registrar tudo formalmente – A NR-1 exige comprovação. Por isso, ações que antes eram informais agora precisam estar registradas dentro do PGR. Treinamentos, reuniões, programas de bem-estar, ações de qualidade de vida e iniciativas de apoio emocional precisam gerar evidências documentais. “Muitas empresas já fazem iniciativas importantes, como treinamentos, benefícios e ações de bem-estar, mas não documentam. Sem isso, não conseguem comprovar em uma fiscalização”, alerta.

3. Revisar jornadas e limites de trabalho – Outro ponto central da atualização é a avaliação das rotinas de trabalho. Empresas devem revisar excesso de horas, falta de pausas, acúmulo de funções e disponibilidade constante fora do expediente. “A dificuldade começa antes da implementação, quando a empresa não entende que pode começar com ações simples, como conversas estruturadas, definição clara de jornadas e respeito aos limites de trabalho”, explica Viviane.

4. Criar canais de escuta – A norma também fortalece a necessidade de ambientes mais seguros para diálogo. As empresas precisam criar mecanismos para que colaboradores possam relatar dificuldades, pressões ou situações de desgaste emocional. Isso pode acontecer por meio de reuniões periódicas, pesquisas internas, acompanhamento de lideranças ou canais específicos de acolhimento.

5. Preparar lideranças – Gestores passam a ter papel estratégico dentro da nova NR-1. Lideranças despreparadas podem ampliar conflitos, aumentar pressão emocional e elevar riscos psicossociais dentro das equipes. Por isso, treinamentos voltados à comunicação, gestão de pessoas e equilíbrio emocional ganham ainda mais importância.

Fiscalização baseada em dados – De acordo com a Viviane Alvarenga, a atualização da NR-1 também amplia o cruzamento de informações por parte do governo. Indicadores ligados à saúde ocupacional passam a ser acompanhados com mais profundidade, inclusive por meio de sistemas como o eSocial. “Hoje, a fiscalização não depende apenas de denúncia. Os dados já estão disponíveis, o que aumenta o nível de responsabilidade das empresas”, observa.

Saúde financeira também entra no radarUm dos pontos que mais chama atenção é que a saúde financeira dos colaboradores passa a ser vista como fator ligado aos riscos psicossociais. Segundo Viviane, o endividamento afeta diretamente o desempenho emocional e profissional: “O endividamento impacta diretamente a saúde mental. Pessoas com problemas financeiros têm dificuldade para dormir, para se concentrar e acabam levando isso para o ambiente de trabalho.” Com isso, programas de educação financeira e orientação aos colaboradores podem passar a fazer parte das estratégias preventivas das empresas.

Mais do que obrigação legal – Para especialistas, a atualização da NR-1 consolida uma transformação mais ampla na gestão corporativa. A tendência é que saúde emocional deixe de ser tratada apenas como benefício e passe a integrar diretamente a sustentabilidade dos negócios.

A proposta não é criar mais uma regra ou aumentar a pressão sobre as empresas, ressalta a diretora. “Quando a gente estrutura um ambiente saudável, isso naturalmente melhora o comportamento e a produtividade”, pontua.

Conforme destaca, empresas que conseguem organizar melhor o ambiente de trabalho tendem a reduzir afastamentos, melhorar engajamento e aumentar resultados. “Não é sobre aumentar custo ou burocracia. É sobre estruturar melhor o ambiente de trabalho. Empresas que fazem isso tendem a ter menos afastamentos, mais engajamento e melhores resultados”, afirma.

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