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Supressão da menstruação – tendência do nosso tempo

Ginecologista Walter Pace: “estamos em novo tempo e nova maneira de pensar a saúde da mulher”

As mulheres ficam muito incomodadas com a menstruação devido à cólicas que podem ser leves ou fortes, dor de cabeça, e, até mesmo, desmaios, entre outros sintomas. Em casos mais graves, pode até mesmo afetar as relações pessoais e profissionais. Fato é que muitas mulheres vêm recorrendo a tratamentos para supressão da menstruação.

As mulheres passaram a viver mais e a menstruar mais, afirma o ginecologista mineiro Walter Pace, Professor Doutor em Ginecologia e   Titular da Academia Mineira de Medicina.  Segundo ele, antigamente, elas tinham a primeira menstruação aos 17 anos, geravam cinco filhos em média, amamentavam cada um por dois anos e, aos 40, entravam na menopausa. Menstruavam então por cerca de oito anos. Hoje, as meninas menstruam aos 11 anos, têm um filho que mama por seis meses e entram na menopausa aos 45. Por isso, elas têm mais chance de desenvolver doenças decorrentes do ciclo menstrual, como no caso a endometriose e a anemia.

Além disso, afirma, a tensão pré-menstrual, a famosa TPM, inferniza a vida de 40% das mulheres no mundo. “Portanto, estamos em novo tempo e nova maneira de pensar a saúde da mulher”, ressalta o ginecologista que defende firmemente a supressão da menstruação, uma vez que o tratamento traz benefícios muito significativos para o dia a dia das mulheres, pois elimina distúrbios que atingem corpo e mente, tais como a tensão pré-menstrual (a temida TPM), cólicas, endometriose e anemia crônica, entre outras. “Não tenho dúvida, respaldado em estudos médicos da área e pela minha experiência de consultório, que essa tendência é muito positiva e indica um novo comportamento do mundo feminino”. 

De acordo com o Dr. Walter Pace, em número cada vez menor, mas ainda significativo, muitas mulheres desconhecem as possibilidades e as vantagens da supressão da menstruação, ideia do renomado professor Elsimar Coutinho, grande nome da Medicina brasileira, que morreu em agosto de 2020. O motivo, segundo Pace, “é o fato da menstruação ainda estar associada a feminilidade, fertilidade e juventude. Prevalece a crença de que, sendo um fenômeno natural e inevitável, a menstruação não pode ser interrompida sem riscos à saúde. Esse pensamento tem mais de 2.000 anos e está baseado nos ensinamentos de Hipócrates e Galeno – que defendiam a sangria como o mais poderoso remédio para quase todas as doenças e acreditavam que as mulheres sangram mensalmente para desintoxicar o organismo. Uma pesquisa publicada pela Organização Mundial de Saúde, em 1983, mostra que 80% das paquistanesas e indianas e 50% das iugoslavas, coreanas, escocesas e inglesas preferem não se livrar da menstruação”.

Contudo, ele acredita que a rejeição deve diminuir assim que mais mulheres se beneficiarem com a suspensão da menstruação. Isso já acontece com milhares de brasileiras.

            Sobre os tabus cada vez menores, mas ainda existentes, o Dr. Walter Pace lembra que desde os primórdios, a mulher era considerada impura durante o seu ciclo menstrual. “Nesses dias, ela era mantida em ambiente separado, o que ainda acontece em algumas tribos amazônicas. Menstruar regularmente durante muitos anos era destino daquelas que não conseguiam ter filhos. Por isso eram consideradas doentes, rejeitadas pelos maridos e condenadas à prostituição. Plínio, o Velho, o mais respeitado homem de ciências do Império Romano, considerava a descarga menstrual um fenômeno purificador para a mulher – porém perigoso para alguém que entrasse em contato com ela”.

         Para as mulheres que pretendem livrar-se da menstruação e, consequentemente, da tensão pré-menstrual e das cólicas, como também reduzir os riscos de desenvolverem doenças hormônio dependentes mais graves, como o câncer de ovário e útero, o ginecologista explica que hoje existem diversas alternativas medicamentosas com efeitos colaterais infinitamente menores que os causados pelas tradicionais pílulas de uso diário. Como exemplo, ele cita os implantes hormonais e o DIU medicamentoso, cujos medicamentos não passam, inicialmente, pelo fígado, reduzindo os riscos e os efeitos colaterais. Além disso, destaca o fato de os tratamentos poderem ser individualizados, com substâncias e doses específicas para cada paciente.

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