Janeiro Branco alerta para o adoecimento mental: conheça os sinais

Mesmo sem sinais extremos, sintomas sutis e persistentes podem indicar sofrimento mental
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Nem todo sofrimento psíquico se manifesta de forma evidente. Neste Janeiro Branco, mês de campanha de promoção da saúde mental, é preciso alertar que muitas pessoas convivem com um mal-estar emocional constante, difícil de nomear e fácil de ignorar, enquanto continuam trabalhando, cuidando da família e cumprindo compromissos diários. Esse tipo de sofrimento, menos óbvio e mais silencioso, é hoje um dos grandes desafios no cuidado com a saúde mental.
Ao contrário de quadros mais reconhecidos — como a dificuldade de sair da cama, alterações intensas de apetite ou crises emocionais —, o sofrimento psíquico silencioso não interrompe a rotina. “A pessoa segue funcionando, mas com sensação frequente de cansaço emocional, esvaziamento e desconexão”, diz Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).
Ela aponta oito sinais de que a saúde mental pode não ir bem. Confira:
- Irritabilidade constante e baixa tolerância a frustrações, mesmo em situações simples do dia a dia.
- Dificuldade de concentração e esquecimentos frequentes, com sensação de mente “embaralhada” ou dispersa.
- Cansaço emocional persistente, que não melhora com descanso ou tempo livre.
- Perda de prazer em atividades antes agradáveis, mesmo continuando a realizá-las.
- Procrastinação acompanhada de culpa, e não de alívio.
- Distanciamento emocional de pessoas próximas, com menor vontade de compartilhar sentimentos.
- Sensação constante de estar devendo algo, mesmo quando se cumpre muitas tarefas.
- Funcionamento no modo automático, com pouca conexão emocional com a própria rotina.
Esses sinais, afirma a médica, costumam ser minimizados, tanto por quem sente quanto por quem observa. O mal-estar é atribuído ao estresse, à rotina corrida ou a uma “fase difícil”. A cultura da produtividade reforça essa invisibilidade: se a pessoa está dando conta de suas obrigações, entende-se que está tudo bem.
O problema é que ignorar esses sinais não faz com que eles desapareçam. Pelo contrário: o acúmulo de sofrimento emocional não reconhecido pode evoluir para quadros mais graves, como depressão, ansiedade crônica e burnout, além de impactar relações, desempenho cognitivo e saúde física.
Reconhecer esses sintomas precocemente é uma forma de cuidado e prevenção, não de exagero. Quando o mal-estar persiste por semanas ou quando o cansaço emocional se torna constante e a vida passa a ser vivida no modo automático, sem sentido ou prazer, é hora de buscar ajuda.
Se esses sintomas trazem um prejuízo clinicamente significativo, eles precisam ser tratados. Por isso, orienta a Dra. Danielle Admoni, “é importante procurar um profissional de saúde mental para avaliar”.




