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Hospital Infantil João Paulo II: Programa Cuidar recebe Prêmio Espírito Público

Por Aline Castro Alves/Fhemig

O Programa Cuidar, do Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII)-Belo Horizonte MG, da Rede Fhemig, recebeu recentemente o Prêmio Espírito Público, categoria Equipe de Saúde. O evento foi transmitido ao vivo pela internet. A premiação inclui o valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), além de capacitação internacional e curso de um ano de inglês para três membros da equipe.

O Prêmio Espírito Público é a maior premiação de reconhecimento de pessoas que transformam o setor público brasileiro, buscando revelar a importância dos profissionais que se dedicam à área e suas histórias, e teve, pela primeira vez em sua edição, a categoria Saúde, além de ter sido inédita, também, a premiação de uma equipe e não somente indivíduos.  “O compromisso inesgotável com os pacientes, permitindo que voltassem a ser crianças, garantiu que a equipe do Hospital Infantil João Paulo II fosse a vencedora, na categoria Saúde, do Prêmio Espírito Público 2020”, afirmou Eloy Oliveira, diretor-executivo do República.org, um dos organizadores do evento.

De acordo com a médica Carolina Affonseca, responsável pela inscrição do programa no “Prêmio Espírito Público”, a ideia é usar o valor da premiação para investir nas enfermarias do Cuidar, com a instalação de ar-condicionado, proporcionando um ambiente mais confortável para os pacientes e os profissionais da saúde e mais seguro para os equipamentos, que acabam sofrendo com as temperaturas mais elevadas, principalmente no verão. “Além disso, tenho um grande sonho de construir um “Hospice”, que é um termo em inglês que se refere a uma espécie de casa, na qual os pacientes em fase final de vida poderiam passar os seus últimos dias com a família. Um local com uma grande cozinha, onde as pessoas das diferentes famílias poderiam fazer bolo e café enquanto conversam entre si, cuidando uns dos outros. Um lugar onde poderíamos ter animais de estimação, balanço, grama, uma piscina térmica, com uma temperatura adequada para os pacientes relaxarem, reduzirem as contraturas, melhorarem o controle das crises convulsivas e dormirem melhor. Tenho esperança que, com a grande visibilidade do prêmio, alguém possa nos ajudar a tornar isso uma realidade”, afirma.

A médica acredita ainda que a visibilidade proporcionada pelo prêmio possa contribuir para aumentar o número de pessoas interessadas em saber mais sobre essa área de atuação da saúde e estimular os profissionais a estudarem mais sobre isso. “É muito importante porque ajuda a melhorar, de forma contundente, o cuidado das pessoas com doenças complexas, crônicas, incuráveis e ameaçadoras da vida”, ressalta a médica, observando: “a gente se prepara muito para o nascer, escolhendo tudo de melhor que podemos. Mas a morte é uma passagem que talvez seja tão importante quanto o nascimento e que, infelizmente, a gente não é preparado para ela. É muito comum vermos as pessoas morrendo sozinhas, com dor, mal tratadas, mal cuidadas. Muitas vezes, isoladas dentro de um centro de terapia intensiva, cheia de monitores, de invasões que não vão trazer de volta a saúde, a vida mas, pelo contrário, podem acrescentar muito sofrimento neste momento”, afirma Carolina.

O Programa – O Programa Cuidar é um programa de Cuidado Paliativo e Atendimento Domiciliar, que visa a melhoria da qualidade de vida dos pacientes portadores de doenças graves e incuráveis, com alta dependência, e que necessitam de suporte artificial de vida.

Atualmente, a equipe do Cuidar conta com oito médicas, nove enfermeiros, cinco fisioterapeutas, uma terapeuta ocupacional, uma fonoaudióloga, uma nutricionista, um psicólogo, três assistentes sociais e 40 técnicos de enfermagem.  São 40 crianças e adolescentes – moradores de Belo Horizonte, Betim, Sabará, Ribeirão das Neves e Vespasiano, que recebem o atendimento domiciliar por meio do programa.

“Trata-se de um programa em pleno crescimento que, além de otimizar a ocupação de leitos da UTI e da unidade de internação, tem contribuído para a progressiva redução do tempo de internação hospitalar e consequente redução de todas as intercorrências e complicações associadas a períodos prolongados de internação. Além disso, o retorno precoce para o ambiente domiciliar, restaura a convivência familiar e facilita a integração do paciente e sua família com a sociedade”, explica a médica Carolina Affonseca.

Vida nova – Valderia Alves dos Santos, mãe do Arthur, de seis anos, portador de leucodistrofia com pico lactato em tronco cerebelar e síndrome de West, é uma das muitas mães que celebra os benefícios do Programa Cuidar. Há quatro meses com seu filho recebendo todo o tratamento em casa, após quatro anos de internação no HIJPII, ela só tem elogios a fazer.  “A equipe é maravilhosa! Tudo que vai ser feito é muito discutido com a gente, eles escutam a nossa opinião. Além disso, temos o contato de todos os profissionais, o que nos dá uma segurança muito grande, pois sabemos que, se precisar, podemos falar com eles a qualquer hora, não estamos sozinhos. É muito bom estar em casa com o meu filho e ter uma equipe que acompanha em todos os cuidados com o Arthur. Sem a ajuda deles, eu não conseguiria ficar aqui com o meu filho”, relata.

Além da comodidade de receber o tratamento em casa, Valderia ainda ressalta as melhorias na saúde do Arthur. “Hoje, ele não apresenta mais bradiocardia (em alguns momentos os batimentos cardíacos dele chegavam a 30), e não é mais hipotérmico (a temperatura dele ficava em torno dos 32 graus)”, conta a mãe.  

Trabalho humanizado – Caleb, de dois anos e oito meses, portador de cardiopatia complexa cianótica grave, também é paciente do Cuidar. O filho de Sabrina Caetano vem sendo atendido pela equipe do programa desde maio de 2019 e a mãe só tem elogios.  “No Cuidar, encontrei suporte para dar uma assistência digna ao meu filho. Ser atendido pelo programa foi a luz no fim do túnel, pois a equipe de Cardiologia, que o acompanhava em outro hospital, infelizmente não estava preparada pra cuidar do caso dele e acabou abandonando-o. Sem o Programa Cuidar, eu acho que ele nem estaria aqui hoje, pois toda a equipe se empenhou em fazer o melhor para ele”, afirma Sabrina, emocionada, destacando: “o programa proporciona uma vida de qualidade e sem sofrimento, não importa o diagnóstico. É um programa humanizado, no qual o único objetivo é o bem estar dos pacientes”.

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