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Mais jovens graves nas UTIs no primeiro trimestre de 2021

O médico Victor Cravo, coordenador nacional das Unidades de Terapia Intensiva da Rede Americas: “hoje, são os adultos jovens e de meia idade, que estão cada vez mais presentes nas nossas UTIs, o que pode ser atribuído ao relaxamento nas medidas de prevenção”

A Rede Americas, braço médico-hospitalar do United Health Group Brasil, levantou o perfil do paciente COVID-19 em suas 18 unidades divididas entre as regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. O estudo comprovou um aumento de mais jovens graves nas Unidades de Terapia Intensiva do grupo, caso do Rio de Janeiro, com um salto de 5,3%, em janeiro, para 14,7%, no mês de março, na faixa etária dos 18 aos 44 anos. Também chama a atenção, na capital Fluminense, as pessoas de meia idade (45 a 64 anos de vida). Nesta faixa etária, as internações pularam de 18% para 42%. Em São Paulo, neste mesmo segmento – 18 a 44 anos, houve um aumento de 17% para 19% e, de 37% para 45%, nos acometidos pela doença entre 45 e os 64 anos de vida. 

Comparativamente aos meses de novembro e dezembro, período em que foi percebido um aumento da gravidade predominantemente nos mais idosos, de acordo com o Dr. Victor Cravo, coordenador nacional das Unidades de Terapia Intensiva da Rede Americas, “hoje, são os adultos jovens e de meia idade, que estão cada vez mais presentes nas nossas UTIs, o que pode ser atribuído ao relaxamento nas medidas de prevenção, como o distanciamento social, aumento das aglomerações e a redução quanto ao uso de máscaras, tão necessários enquanto não há vacina para todos”. 

Outra preocupação é a ausência de comorbidades nessa população jovem, que vem agravando devido à COVID-19. “Ainda há muito a ser pesquisado com relação aos problemas desencadeados pelo novo coronavírus, mas essa gravidade pode estar diretamente relacionada à carga viral mais alta, somada à grande exposição, o que resultaria em uma capacidade menor de resposta do organismo dessa população”, observa o médico.  

O estudo também traz um panorama do aumento de adultos nas unidades do Distrito Federal, Norte e do Nordeste do país, com uma escalada de 12% para 17,3%, entre as pessoas dos 18 aos 44 anos, e uma queda naquelas pertencentes ao grupo dos 45 aos 64 anos de vida: de 42,2% para 35,2%.  

Um dado positivo é a redução dos octogenários na maioria das UTIs do grupo, o que já pode ser considerado um reflexo da vacinação nessa faixa de idade (queda de 46% para 36%). “Por outro lado, no Nordeste e Distrito Federal, especificamente, ainda há aumento desse público na faixa etária dos 80 anos (de 8,4%para 13.3%)”, diz. 

Prevalência – As idades medianas dominantes nas UTIs da Rede Americas mais prevalentes estão em 69 anos, no Rio de Janeiro; 58 anos, em São Paulo, e, no Norte, Nordeste e Distrito Federal, entre os 63 anos. “Os dados novamente nos levam a reforçar a importância da vacina, ainda que exista a nova variante em circulação no país, pois essa faixa etária começou a ser vacinada neste momento e ainda levará um tempo para podermos avaliar a redução da internação desse público”, finaliza o especialista responsável pelo estudo.

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