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Medicina: Trabalho Voluntário na África

André Lourenço Pereira, residente em ortopedia no Hospital das Clínicas da UFMG

Algumas experiências na juventude são determinantes na vida profissional e pessoal. Essas experiências apontam um novo caminho, uma  outra visão de mundo e são muito enriquecedoras em todos os aspectos.  O jovem André Lourenço Pereira, 27 anos, graduado em medicina pela UFMG em dezembro de 2014, aprovado em primeiro lugar na residência de ortopedia e traumatologia do Hospital das Clínicas da UFMG.

Em 2012, no final da faculdade, ele participou de um trabalho voluntário em Gana, na África, que mudou a sua vida. Segundo ele, “vivi e amadureci em um país marcado pela miséria, mas com um coração enorme”.
Este ano, ele termina o último ano de Residência.

Antes de falar de sua experiência na África, André Lourenço explica a sua escolha pela ortopedia:  “Sempre gostei muito de esportes em geral e, durante a faculdade, várias atividades extracurriculares que realizei foram ligadas à ortopedia, como monitorias, participação em ligas acadêmicas, jornadas e congressos, projeto de extensão, estágio no Clube Atlético Mineiro. Essas experiências aliadas ao gosto pelo esporte acabaram me direcionando para a ortopedia, área em que estou muito satisfeito até o momento.”

Ainda como estudante de medicina e com o vigor que o caracteriza, André foi para Gana, na África, trabalhar com pacientes com AIDS. “Essa experiência foi durante o final da faculdade. Um amigo me apresentou uma organização estudantil que me indicou esse projeto de combate a AIDS naquele país. Eu fiz o processo seletivo e passei”, lembra.

O trabalho voluntário era na periferia de Accra, capital. Gana é um país muito pobre, porém estável politicamente. “No bairro em que eu morava não tinha rede de esgoto, água encanada e luz elétrica. A cada dois dias um caminhão fornecia água e a cada três dias tinha um dia de racionamento de energia. Transporte público e acesso a alimentação em geral também eram difíceis, basicamente pequenas vendas com alguns itens básicos para alimentação.”

Na pobre capital de Gana, “eu trabalhava de segunda a sexta, de 07hs até às 15hs, em uma casa que funcionava como uma clínica de atendimento a pessoas HIV, seja na forma de tratamento, prevenção de transmissão e orientação/apoio psicológico.

O grupo de funcionários era composto por uma médica holandesa, uma enfermeira, dois técnicos e uma secretária de Gana. O acesso a medicamentos era por meio de doações de organizações internacionais e a clínica não tinha suporte para internar pacientes caso precisasse. Esse encaminhamento era muito complicado pela pouca disponibilidade de leitos hospitalares. Associado a esse trabalho, eu dava aula em escolas, creches e orfanatos sobre prevenção de doenças infecciosas”

O choque de realidade foi enorme. “Eu me achava uma pessoa tolerante, capaz de conviver em diversas situações. Mas foi só ao realmente viver uma realidade que mal sabia que existia que pude entender um pouco de pobreza, sofrimento, solidariedade e amor ao próximo”

“Logo na primeira semana que cheguei, atendemos um paciente que ia pela primeira vez a clínica, já em estágio muito avançado da doença. Ele acabou morrendo no outro dia. A clínica não tinha os medicamentos, profissionais e estruturas para ajudar o doente. E ele foi só uma pequena parcela da população que de fato consegue chegar até um atendimento médico.”

Esta experiência transforma qualquer pessoa, destaca André Pereira.  “Diria que eu me tornei uma pessoa mais consciente do mundo, ciente das responsabilidades e do quanto é preciso ajudar quem precisa. O trabalho em Gana me permitiu expandir a minha forma de enxergar o paciente e a doença, e manter uma relação entre médico e paciente mais humanizada”

Trabalhar em uma clínica especializada em pessoas HIV em Gana, acrescenta, “foi o maior desafio da minha vida. Vivi e amadureci em um país marcado pela miséria mas com um coração enorme. Conviver diariamente com aquelas pessoas me fez perceber que fiz uma pequena diferença na vida delas, mas no fim foram elas que me mudaram completamente. Participar de um trabalho voluntário é muito mais que servir ao próximo. É lutar pelos seus ideais e por um mundo melhor e mais solidário”, conclui.

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