Motocicletas lideram causas de fraturas faciais no Brasil e acendem alerta no Maio Amarelo

Cirurgiões Buco-Maxilo-Faciais destacam que até 54% dos traumas bucomaxilofaciais estão ligados a acidentes de trânsito e reforça a urgência de prevenção
Foto: Divulgação
Na campanha Maio Amarelo, dedicada à conscientização para a redução de acidentes de trânsito, o Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CBCTBMF) chama atenção para um dado alarmante: os acidentes com motocicletas são atualmente a principal causa de trauma maxilofacial no país, representando entre 41% e 54% dos casos registrados.
De acordo com estudos recentes, esses traumas afetam majoritariamente homens jovens, entre 75% e 81% dos pacientes, com maior incidência na faixa dos 20 aos 29 anos. Em adolescentes, o cenário também preocupa: cerca de 76% dos casos ocorrem em indivíduos do sexo masculino, com destaque para a faixa entre 13 e 18 anos, sendo os acidentes de trânsito com motocicletas responsáveis por mais da metade das ocorrências.
Além dos acidentes motociclísticos, a violência interpessoal aparece como a segunda principal causa de fraturas faciais (22% a 34%), seguida por quedas, que predominam especialmente entre adultos acima dos 40 anos e idosos. Entre mulheres, os traumas estão mais associados a acidentes domésticos e quedas.
Regiões mais afetadas e gravidade dos casos – As fraturas mais comuns atingem o complexo zigomático-orbital e a mandíbula, podendo comprometer funções essenciais como mastigação, fala e respiração. Lesões nasais também são frequentes, principalmente em casos de agressão física e quedas.
Os dados revelam ainda a gravidade desses traumas: cerca de 71% dos pacientes necessitam de intervenção cirúrgica, sendo a técnica de redução aberta com fixação interna a mais utilizada. A taxa de mortalidade é de aproximadamente 1,9%, aumentando significativamente em casos com múltiplas fraturas faciais.
Em crianças e adolescentes, o quadro é ainda mais delicado: 82% dos casos apresentam comorbidades associadas, com destaque para o traumatismo cranioencefálico, presente em 65,6% das ocorrências.
Fatores de risco e impacto social – O CBCTBMF destaca que fatores socioeconômicos desempenham papel relevante na incidência e gravidade dos traumas. Baixa escolaridade, consumo de álcool, que pode aumentar o tempo de internação em mais de duas vezes, e o não uso de equipamentos de proteção individual, como capacetes, estão diretamente associados ao aumento dos casos e dos custos hospitalares.
Além disso, estudos nacionais apontam características específicas do Brasil, como a presença de ferimentos por arma branca e arma de fogo nos casos de violência interpessoal, com maior risco de mortalidade.
Conscientização salva vidas – Para o CBCTBMF, o Maio Amarelo é uma oportunidade estratégica para reforçar a importância da prevenção. O uso correto de capacetes, o respeito às leis de trânsito e a redução do consumo de álcool ao dirigir são medidas essenciais para diminuir a incidência de traumas faciais graves.
De acordo com o presidente do CBCTBMF, Dr. Belmiro Vasconcelos, os traumas bucomaxilofaciais não afetam apenas a estética, mas comprometem funções vitais e podem deixar sequelas permanentes. “A prevenção é sempre o melhor caminho”, reforça.




