INTO amplia atendimento e reforça importância do diagnóstico precoce Pé Torto Congênito

História da pequena Maya mostra como o tratamento especializado pode transformar a vida de crianças com a deformidade
Crédito-Foto: Divulgação
Aos quase dois anos, a pequena Maya corre e brinca como qualquer criança. Mas, para sua família, cada passo é uma conquista. Diagnosticada ainda durante a gestação com Pé Torto Congênito (PTC), ela precisou iniciar o tratamento nos primeiros meses de vida. Hoje, graças ao acompanhamento realizado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), ela se desenvolve normalmente e mostra como o diagnóstico precoce e o tratamento especializado podem transformar vidas.
Segundo o Ministério da Saúde, o PTC afeta cerca de 200 mil recém-nascidos por ano e ocorre em um a cada mil nascidos vivos, podendo comprometer um ou ambos os pés. A condição altera a posição dos pés do bebê, que se voltam para dentro, e envolve ossos, músculos, ligamentos e tendões. Sem tratamento adequado, pode prejudicar a marcha e a qualidade de vida.
No Centro de Atendimento Especializado (CAE) da Criança e do Adolescente do INTO, aproximadamente 30% dos atendimentos ortopédicos infantis estão relacionados ao pé torto congênito. Somente no ano passado, o serviço realizou mais de duas mil consultas, sendo cerca de 600 voltadas para crianças com a deformidade. Em 2026, o Instituto triplicou a oferta de consultas ambulatoriais para o PTC, ampliando o acesso ao tratamento especializado pelo SUS.
Método Ponseti – Atualmente, o tratamento mais utilizado em todo o mundo é o Método de Ponseti, considerado padrão-ouro para a correção do Pé Torto Congênito. A técnica consiste em manipulações seriadas dos pés, associadas à troca semanal de gessos, seguida de um pequeno procedimento cirúrgico e do uso de órteses para manter a correção obtida.
O início precoce do tratamento é um dos fatores mais importantes para o sucesso da correção do Pé Torto Congênito. Quanto mais rápido a criança chega ao atendimento especializado, maiores são as chances de alcançar um bom resultado e garantir seu desenvolvimento motor.
Conforme destaca o chefe do CAE Infantil do INTO/Rio de Janeiro/RJ, Dr. Daniel Furst, “é importante conscientizar os profissionais das maternidades e unidades básicas de saúde para o diagnóstico precoce e o encaminhamento o mais rápido possível. Além disso, o comprometimento dos responsáveis durante todas as etapas, especialmente no uso correto das órteses, é fundamental para o sucesso terapêutico”.
Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento começa de forma conservadora, preferencialmente ainda nos primeiros meses de vida. Subchefe do CAE Infantil, o ortopedista Dr. Gustavo Trovão, explica que o método Ponseti é a primeira escolha e, quando necessário, outras abordagens podem ser empregadas para complementar a correção. O objetivo, em todos os casos, é obter um pé indolor e funcional, permitindo que a criança caminhe e realize suas atividades normalmente.
Quando o tratamento é iniciado no momento adequado e a criança não apresenta outras deformidades ortopédicas associadas, os resultados costumam ser bastante positivos. De acordo com o ortopedista pediátrico Régis Rodrigues, a maioria desses pacientes consegue alcançar uma boa correção da deformidade com o tratamento especializado. Em média, destaca, “conseguimos corrigir o pé após cerca de seis trocas semanais de gesso e um procedimento cirúrgico. Depois disso, a criança utiliza órteses até os quatro anos e permanece em acompanhamento para garantir o desenvolvimento adequado”.
Este foi o caminho que a família de Maya percorreu. O diagnóstico foi feito durante o ultrassom morfológico, ainda na gestação. A partir daquele momento, os pais passaram a buscar informações e se preparar para o tratamento logo após o nascimento da filha. “Quando recebemos o diagnóstico, ninguém na família sabia o que era pé torto congênito. Começamos a pesquisar, entender a condição e procurar tratamento para que estivéssemos preparados quando ela nascesse”, relembra a mãe, Patrícia Martins.
Encaminhada ao INTO pelo Sistema de Regulação, Maya deu continuidade ao tratamento na instituição e realizou a cirurgia corretiva ainda nos primeiros meses de vida. Hoje, a menina corre, brinca e se desenvolve normalmente. Conforme afirma, “as pessoas olham para os pezinhos dela e nem imaginam tudo o que eles passaram. Ver minha filha caminhando, correndo e fazendo tudo o que qualquer criança faz é emocionante. Para as famílias que acabaram de receber esse diagnóstico, eu diria para confiar no processo. Cada etapa passa e o resultado vale a pena”.




