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Cansaço que não passa: quando investigar além do estresse e da rotina intensa

Fadiga persistente pode estar ligada a alterações hematológicas, hormonais e outras condições de saúde

Foto: Divulgação

Você dorme bem, tenta desacelerar, toma café para ganhar energia, mas o cansaço continua ali. Em uma rotina cada vez mais acelerada, é comum atribuir a fadiga ao excesso de trabalho, ao estresse ou à falta de descanso. Porém, quando esse esgotamento persiste e começa a interferir nas atividades do dia a dia, pode ser um sinal de que o organismo está pedindo atenção.

Segundo a médica hematologista Dra. Maricy Viol, de São Paulo/SP, embora o cansaço seja frequentemente associado ao estilo de vida moderno, há situações em que ele merece investigação clínica mais aprofundada. É importante, afirma, “diferenciar o cansaço esperado após períodos intensos de trabalho ou estudo de uma fadiga persistente, progressiva e que não melhora mesmo após sono adequado. Quando esse sintoma passa a impactar atividades habituais, como trabalhar, estudar ou realizar tarefas do cotidiano, já merece uma avaliação médica”.

A hematologista destaca que, além da sensação constante de exaustão, alguns sinais podem indicar que há algo além da sobrecarga da rotina. Palpitações, falta de ar, tontura, perda de peso sem explicação, dores no corpo, fraqueza muscular, dificuldade de concentração e alterações de humor são sintomas que podem acompanhar o quadro.

Quando o cansaço deixa de ser normal? – De acordo com a Dra. Maricy, o esgotamento constante pode estar associado a diferentes condições de saúde, desde alterações hormonais, como problemas de tireoide e diabetes, até distúrbios do sono, incluindo apneia obstrutiva, e condições hematológicas, como a anemia, que pode ter diferentes causas. Em alguns casos, doenças autoimunes, inflamatórias e neurológicas também podem se manifestar inicialmente por meio desse sintoma.

“O desafio é que são manifestações muito inespecíficas, frequentemente confundidas com estresse, ansiedade ou excesso de trabalho. Isso acaba atrasando a busca por ajuda e, consequentemente, o diagnóstico”, destaca a especialista, observando que, nesse cenário, o acesso ao diagnóstico adequado torna-se essencial. Exames laboratoriais iniciais, como hemograma completo, glicemia, avaliação da função tireoidiana, dosagem de ferro, vitamina B12 e marcadores inflamatórios, costumam fazer parte da investigação, mas a definição do que deve ser solicitado depende da avaliação médica.

Outro comportamento comum é a adaptação silenciosa à exaustão, como reduzir atividades físicas, evitar compromissos ou aumentar o consumo de café e bebidas energéticas para manter a rotina. Como destaca, “muitas pessoas passam meses ou até anos acreditando que esse quadro é normal da idade. O problema é que isso pode mascarar condições tratáveis e impactar diretamente a qualidade de vida”.

A orientação, segundo a médica, é não ignorar sinais que persistem ou começam a limitar atividades cotidianas. Se o cansaço está afetando sua rotina e bem-estar, alerta, “vale buscar orientação profissional. Muitas causas podem ser identificadas e tratadas adequadamente”.

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