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Cirurgia plástica estética e reparadora, um binômio indivisível!

Dr. Eduardo Sucupira

Cirurgião Plástico, especialista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e membro da American Society for Aesthetic Plastic Surgery (ASAPS).

  A cirurgia plástica faz parte da vida de todos os brasileiros. No prazo de um ano são realizadas por profissionais especializados, aproximadamente, 630 mil cirurgias plásticas no país. Destas, 73% são intervenções estéticas e 27% reparadoras.

Cirurgias são sempre desafiadoras, sejam elas reparadoras ou não. O mercado promissor em que se tornou a cirurgia plástica, principalmente com fins estéticos, não afasta dos médicos o dever ético de tratar a medicina como atividade essencial à vida humana. Para exercê-la, o profissional, além de ser consciente, competente e qualificado, deve zelar pelo bem maior, que é a vida e o bem-estar de seus pacientes.

A cirurgia plástica atua na reconstituição de tecidos perdidos em função de sequelas provocadas por acidentes, em áreas atingidas por retiradas de tumores, e em casos de queimaduras graves, entre outras. Para cada tipo de demanda, são oferecidas técnicas modernas e específicas, como enxertos de pele, retalhos cutâneos, musculares ou ósseos, microcirurgia para confecção de retalhos livres e reimplante de extremidades.

A cirurgia plástica não é somente estética ou exclusivamente reparadora, é uma só, indivisível. Repara a dor! Algumas merecem sem dúvida, destaque, como o caso da reparação da gigantomastia, uma cirurgia emblemática, pois remove a dor, o peso, a vergonha, a sensação de desprezo, a falta da estima. Restaura a condição da mulher.

Cirurgias plásticas são viabilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), diferentemente da cirurgia plástica com objetivos puramente estéticos. Essas intervenções têm como objetivo a correção de deformidades congênitas (ao nascimento) e/ou adquiridas (traumas, alterações do desenvolvimento, pós cirurgia oncológica, acidentes e outros), devidamente reconhecidas, ou ainda quando existe déficit funcional parcial ou total, cujo tratamento exige recursos técnicos de cirurgia plástica, sendo considerada tão necessária quanto qualquer outra intervenção cirúrgica.

Atualmente os principais procedimentos realizados pelo SUS são: reconstituição de lábio leporino; cirurgia de mudança de sexo;   abdominoplastia (correção da flacidez e redução da pele após perda de peso);  otoplastia (correção de orelhas de abano); gigantomastia (redução das mamas); ginecomastia (crescimento anormal das mamas em homens); fendaplaslatina (correção de pálpebras enrugadas nos olhos); reconstrução das mamas após retirada de câncer; deficiências ou deformidades no rosto; e queimaduras que levaram a deformações.

É um grande avanço para a saúde pública brasileira, mas, ainda, é necessário ir além, democratizar o acesso, incorporar novos procedimentos e atingir o território nacional em toda a sua amplitude, assim como um número crescente de beneficiados.

Para a realização da cirurgia plástica gratuita é indispensável iniciar os procedimentos de autorização em uma instituição de saúde credenciada pelo SUS; o paciente deverá ser consultado por um médico na Unidade Básica de Saúde – UBS, para que a avaliação do caso seja realizada. Após a avaliação e constatação da necessidade da intervenção, o paciente será encaminhado até a Secretaria de Saúde do município que reside para que seja informado sobre os hospitais credenciados (possivelmente este paciente receberá a visita de funcionários do órgão).

Hoje em dia, a cirurgia plástica já faz parte do próprio tratamento das mulheres com câncer de mama. Ele garante que todas sejam encaminhadas para o cirurgião plástico que realizará a reparação, tanto para retirada totalmente a mama, a chamada mastectomia total, quanto para a mastectomia parcial. O cirurgião plástico reconhece a importância da cirurgia reparadora.

Embora a maior parte das intervenções cirúrgicas aqui, no Brasil, ainda sejam procedimentos estéticos, percebe-se, no entanto, um aumento significativo da busca por cirurgias plásticas com objetivos reparadores. Diferentemente de quando este tipo de procedimento surgiu no pós-guerra, compreende hoje, reparar danos causados por acidentes, sequelas estéticas causadas por doenças ou procedimentos clínicos/ cirúrgicos, ou ainda, corrigir deformidades congênitas. Somente assim é possível devolver ao paciente o bem-estar, a autoestima e impactar positivamente a qualidade de vida dos pacientes.

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